Uma apresentação com MPB, cantigas de roda e funk encerrou, nesta sexta-feira (8), na Fundação Curro Velho, a capacitação em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) oferecida a um grupo de 50 docentes e 20 alunos de licenciatura da Universidade do Estado do Pará (Uepa). As músicas foram traduzidas para a plateia animada, que se comunica apenas usando essa linguagem. A iniciativa fez parte do projeto de formação continuada para professores, coordenado pela fundação.
Para a professora de geografia Rosemar Grello, conhecer a Libras foi uma experiência incrível. “É um mundo para quem trabalha mesmo com educação, que eu desconhecia. Leciono geografia e estudos amazônicos e nunca tive a oportunidade de experimentar. Participar deste curso como educadora foi muito bom. Estou pensando em me aprofundar no assunto”, contou.
O professor de história João Batista disse que o aperfeiçoamento na linguagem dos sinais facilita ainda mais o trabalho na sala de aula. “Aqui descobri outras coisas que não tinha aprendido no curso de Libras da Uepa. É uma linguagem para conhecer a longo prazo e para ser usada durante toda a vida. Como tenho alunos que têm deficiência auditiva, foi importante o treinamento, para eu poder me comunicar melhor com eles”, observou.
Para a professora de inglês Juliana Marques, que trabalha em Cachoeira do Arari, na ilha do Marajó, o curso foi encantador. “Estou vindo de um curso de especialização em educação inclusiva. Qualquer língua é preciso ficar o tempo todo estudando. Não sou fluente em Libras, mas tenho aluno surdo, preciso me comunicar. Com esse curso é que vou poder entender meu aluno”, disse.
Acesso - A responsável pela capacitação, Marilene Marques, avaliou o resultado como positivo. “É muito bom pode capacitar pessoas, especialmente aqui, que tivemos funcionários públicos e estudantes. Isso é muito importante porque hoje os surdos estão em qualquer espaço, em qualquer local. Está em lei o direito de acessibilidade na questão do uso e difusão da língua de sinais. A Casa da Linguagem já está fazendo o seu papel de difusão”, reforçou.
Por não ouvir, o surdo usa outros mecanismos de percepção do mundo, de experiências do mundo, da vida, da percepção visual. Segundo Marilene, o professor deve saber como fazer o surdo participar. “Além do aprendizado da Língua de Sinais, algumas estratégias são muito importante, como metodologia visual, uso do lúdico e criativo, de charges e da música toda sinalizada e até desenhada”, completa.
Para o segundo semestre, a Casa da Linguagem vai promover oficinas regulares sobre Libras. As inscrições começam dia 2 de agosto. Uma das novidades para este período são as oficinas preparatórias sobre as leituras obrigatórias do vestibular. Professores e alunos de escolas públicas são isentos de pagamento de taxa de inscrição. As informações são da Fundação Curro Velho. (DOL)
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