A agonia da dona de casa Ariadna da Silva para conseguir um leito para o filho de quatro meses que tem um sério problema de coração, divulgada pelo DIÁRIO na edição de ontem, não é um caso isolado. De acordo com a própria Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o serviço de saúde estadual tem, atualmente, várias filas de pessoas que aguardam por cirurgias ou por leitos. Para tentar resolver o problema de forma mais imediata, a Sespa aposta na contratação de convênios com clínicas particulares.
A secretária adjunta de saúde, Rosemary Góes, confirma a ausência de vaga nos leitos no Hospital de Clínicas Gaspar Viana (HC), onde Ariadna tentou internar o filho. Segundo ela, atualmente, 250 crianças aguardam por uma operação cardíaca pediátrica no hospital que é referência na área. “Deixaram acumular muitas cirurgias. Se esses serviços tivessem sido feitos como estamos fazendo agora, a situação não seria essa”. De acordo com Rosemary, o hospital realiza, atualmente, de 3 a 4 cirurgias pediátricas semanais, o que já estaria ajudando a reduzir a fila.
Além do acúmulo de pacientes que aguardam pela cirurgia pediátrica, ela confirma a falta de vaga nos leitos na UTIs pediátricas, que, no HC, são apenas 10. Para tentar solucionar o problema, ela afirma que a Sespa irá assinar um contrato com o Hospital do Coração, único que se apresentou à chamada pública que teria sido encerrada na semana passada, para a realização de 100 cirurgias cardíacas pediátricas. Apesar de confirmar que mais de 100 crianças necessitam da cirurgia, ela acredita que a medida resolverá o problema.
“Fizemos, também, uma chamada pública para UTIs pediátricas que deve ser fechada em dois dias. Assim, as crianças que não precisam da UTI do HC serão encaminhadas para outros hospitais”. Sobre o caso de João Vitor da Silva, filho de Ariadna, a secretária afirma que ainda tem poucas informações. “Só foi gerada a AIHC (documento que pede a internação) no dia 26 de junho”, afirmou apenas. Apesar disso, a mãe da criança afirma que já tenta internar o filho desde o dia 11 do mês passado.
ESPERA
Além do problema enfrentado pelos que necessitam de uma cirurgia cardíaca, mais três filas são destacadas pela própria Sespa como emergenciais. De acordo com Rosemary, cerca de 420 pessoas aguardam por cirurgias traumatológicas, 400 pacientes esperam por uma cirurgia de reconstrução do intestino e 280 por máquinas de hemodiálise. “Tomamos conhecimento das filas que tinham risco de vida e estabelecemos prioridades”.
Para todos os casos, a solução encontrada foi a transferência do atendimento público para clínicas e hospitais particulares através de convênios. (Diário do Pará)
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