O Ministério da Saúde vai atualizar o protocolo de tratamento de pacientes com hepatite C. A atualização do procedimento será apresentada no Dia Mundial contra hepatites virais, em 28 de julho, mas o Governo do Pará já desenvolve ações para atender imediatamente as novas diretrizes.
“O Estado do Pará está preparado para seguir as novas diretrizes que serão implantadas pelo MS”, garante a coordenadora do departamento de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), Cisalpina Cantão. De acordo com ela, um plano de combate vem sendo executado desde o início do ano, com ações em instituições e eventos de todas as regiões do Pará. Além disso, a infraestrutura de saúde do Estado está sendo descentralizada para melhor atender os pacientes.
“Um trabalho de descentralização do atendimento já foi iniciado desde março, quando os pacientes de Santarém, no oeste do Estado, passaram a receber os medicamentos na sua própria cidade. Já neste segundo semestre, Redenção e Altamira passarão a ter o mesmo sistema de atendimento. Os próximos municípios serão Marabá e Tucuruí”, informa a coordenadora, lembrando que antes os doentes precisavam se deslocar até a capital para conseguir o medicamento.
Paralelamente à descentralização do tratamento, a Sespa, em parceria com o Instituto Evandro Chagas, intensificou neste verão uma campanha de prevenção da doença. Ações de educação e teste rápidos estão sendo realizados até o fim do mês em Mosqueiro (dia 21), Salinas (dia 23) e no Terminal Rodoviário de Belém (dia 28). “O Pará está informando a população sobre os riscos da doença e buscando identificar o vírus nas pessoas. Casos os cidadãos precisem de tratamento, poderão buscá-lo em algum pólo de atendimento nas diversas regiões do Estado”, assegura Cisalpina.
Mudanças – As novas diretrizes do tratamento serão divulgadas na íntegra apenas no dia 28, mas algumas mudanças no protocolo já são conhecidas. Entre elas, a possibilidade de o médico prolongar para até 72 semanas a terapia dos doentes que apresentam resposta lenta à medicação - cerca de 40% dos pacientes em tratamento no país.
Pela diretriz atual, o paciente é tratado até completar 48 semanas e, caso não esteja com a carga viral indetectável nessa fase, tem de pedir autorização ao Comitê Estadual de Hepatites Virais para conseguir a continuidade do tratamento. Os casos são analisados individualmente e precisam ser justificados.
Outro item abordado no documento será a inclusão de pacientes com os genótipos 2 e 3 da hepatite C no tratamento com Interferon Peguilado - droga mais moderna e com melhores resultados, que é usada atualmente apenas nos pacientes com o subtipo 1 do vírus, o mais comum. Hoje, esses pacientes recebem a droga convencional.
Forma crônica atinge 85% dos brasileiros
A hepatite C é causada por um vírus que ataca as células do fígado. Em 15% dos casos registrados no Brasil, a doença provoca uma infecção aguda, que acaba sendo curada pelo organismo. Mas, em 85% dos infectados evolui para uma forma crônica, que pode levar a doenças hepáticas como a cirrose e o câncer.
É transmitida por sangue contaminado, em transfusões ou compartilhamento de seringas para injeção de drogas. Em circunstâncias raras ocorre a transmissão por via sexual e, em cerca de 5% dos casos, também a transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho. Casos de transmissão por meio do leite materno não são conhecidos. Em 20% a 30% dos casos a via de contaminação não é determinada.
(Agência Pará)
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