Itens considerados básicos na alimentação estão cada vez mais difíceis de serem mantidos na lista de compras do mês. Um balanço divulgado pelo Dieese aponta que a cesta básica com 12 produtos chegou a custar R$ 232,63 na Grande Belém. O valor da cesta, que vinha em queda há dois meses, terminou o semestre com alta de quase 3%.
No último mês o custo da cesta básica para uma família padrão paraense, composta por dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 697,89 sendo necessários, portanto, cerca de 1,28 salário mínimo para garantir as necessidades do trabalhador e sua família, apenas com alimentação. Ainda com base na pesquisa, para comprar os 12 itens o consumidor comprometeu 46,40% do salário mínimo de R$ 545,00.
Mesmo com a alimentação básica apresentando alta acumulada de quase 3% de janeiro a junho deste ano, a situação ainda está bem melhor em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cesta apresentou um aumento de 5,33%. A pesquisa do Dieese mostra ainda que, com base no maior custo apurado para a cesta básica nacional e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deva ser suficiente para alimentar e suprir necessidades como alimentação, educação, moradia, saúde, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o mínimo necessário para atender uma família deveria ser de R$ 2.297,51, cerca de quatro vezes maior que o salário em vigor.
PAGANDO MAIS
Segundo Maria Francisca, que trabalha como cuidadora de idosos, apesar de não fazer pesquisa de preços na hora de comprar, sentiu no bolso o aumento. “Como não posso deixar de comer, acabo pagando mais caro mesmo pelo produto”, enfatiza. Já Orlando Fonseca, bancário aposentado, diz que nem mesmo a pesquisa vale a pena. “A gente já sabe que vai aumentar mesmo, o que você gasta com gasolina não compensa”, diz o aposentado, que faz as compras mensais para a casa. “Prefiro comprar tudo de uma vez, a compra semanal faz a gente gastar mais”, explica Orlando. (Diário do Pará)
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