Mesmo sem olho de vidro nem perna de pau, piratas têm aterrorizado pescadores, ribeirinhos e turistas que circulam pelos extensos rios do norte do Pará. A bordo de “rabetas”, pequenos barcos potentes, eles armam emboscadas para roubar tudo o que há nas embarcações. Relatos dão conta de pessoas amarradas, deixadas à deriva, sem motor nem revés (espécie de marcha), e até de estupros. Na fuga, os piratas desaparecem nos labirintos formados pela mata fechada. Na região da ilha de Marajó, arquipélago com 487 mil habitantes, mesmo barcos pequenos costumam carregar grandes montantes de dinheiro, já que apenas 4 de seus 16 municípios contam com agências bancárias.
O produtor de açaí Sebastião Cordeiro Pimenta não sabe calcular o quanto perdeu nas seis vezes em que foi assaltado - a última, em fevereiro. Em todas, levava o lucro das vendas da fruta na capital paraense. Os ataques ocorrem na ilha e ao longo do recorte geográfico onde se situam as cidades de Belém, Barcarena e Abaetetuba. Líderes da região dizem que ao menos 150 ações do gênero ocorreram só neste ano - incluindo assaltos a casas de ribeirinhos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará, ao longo do primeiro semestre, foram 19 assaltos a embarcações em Marajó. Duas pessoas foram assassinadas por piratas desde o início do ano, diz a Polícia Civil.
BEM MAIOR
O número de casos pode ser bem maior devido às dificuldades para registrar uma ocorrência. Alguns moradores levam até oito horas para chegar à delegacia, que nem sempre tem estrutura. A Polícia Fluvial do Pará diz que fará operação para coibir os piratas neste mês, época em que a circulação na região aumenta devido ao turismo e à safra do açaí. Alcina Lúcia Gonçalves, mãe do vice-prefeito de Soure (município da ilha de Marajó), ouviu um tiro quando viajava com a família de navio, na tarde de 14 de junho. Sentada na sala VIP - área com ar-condicionado e TV -, pensou que se tratava de uma briga no andar inferior.
Logo depois, ouviu mais disparos e viu um tripulante anunciar, correndo, que havia piratas na embarcação. Três homens entraram na sala, com uma refém, e obrigaram passageiros a deitar no chão e a entregar seus pertences ao bando.
O padre Adenilson Sousa Santos, que também estava na sala VIP, conta que os homens empunhavam espingardas e mandaram o comandante desviar a rota. A ação durou quase duas horas, até a fuga dos bandidos. Cinco dos nove piratas foram presos após o crime, afirma a polícia.
Segundo o diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil, Ivanildo Santos, as quadrilhas vêm atacando navios maiores. (Diário do Pará)
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