Ao cruzar o portão que dá acesso à parte externa da escola, João Sousa, 16 anos, (nome fictício), tira a farda e a guarda dentro da mochila. No dia seguinte a cena se repete. Desta vez, na chegada. O garoto tira a camisa que havia guardado na bolsa e a veste. O uso da farda é item obrigatório dentro de qualquer instituição de ensino. A ação do jovem chama atenção para um problema que vem tomando grandes proporções e que deve retornar à cena com a volta às aulas após as férias de julho - o que força o atual governo do Estado a criar medidas rígidas e imediatas para combatê-lo.
O medo e tudo que cerca muitos estudantes de cuidados tem a finalidade de evitar que eles se tornem vítimas de qualquer ação ilícita. Em casos recentes, estudantes de outras escolas veem dentro de um espaço onde se pratica a educação, o ambiente que serve de abrigo aos adversários.
Mas o que tem a ver a farda na mochila com os envolvidos em situações negativas? Agora tudo. É uma questão de honra esconder a identidade escolar. Muitos estudantes já pagaram com punições violentas nas ruas de Belém simplesmente por estarem trajando a camisa da escola onde estudam, vista como “inimiga” pelos infratores, na maioria adolescentes e ex-alunos.
João disse que segue à risca as orientações que recebe em casa, dos pais e dos professores, na escola. “Não quero correr o perigo. Já vi agressões em que o aluno, inocente, foi pego logo após a saída porque estava fardado. Os agressores o chutavam e diziam que a escola não prestava e por isso estava apanhando, para não voltar lá. O menino ficou traumatizado e deixou de frequentar o colégio por algum tempo”.
O DIÁRIO teve muitas dificuldades de encontrar quem se identificasse para falar sobre o assunto. O medo fez os entrevistados fornecerem nomes fictícios e se transformarem em códigos. A única mãe que revelou o nome, responsável por uma aluna da Dom Pedro II, no bairro do Marco, falava com receio do assunto. Mas apontou a importância do tema ser debatido dentro do espaço escolar com a participação de pais e da administração pública. “É preciso que algo seja feito. Graças a Deus minha filha estuda aqui [Dom Pedro II] e nunca foi vítima, mas sabemos de casos que merecem a atenção”, diz a autônoma Irene Reis.
Três estudantes da escola Dom Pedro II pediram para que os chamássemos pelos números de 15, 16 e 17. Eles relataram uma briga ocorrida dentro da escola entre duas jovens, no final do primeiro semestre letivo deste ano. Leia mais no Diário do Pará.
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