Apreciar a orla de Icoaraci está cada vez mais difícil. O descaso com a limpeza e manutenção do local é o que mais chama a atenção, durante um rápido passeio pela margem, principalmente nas proximidades da praia do Cruzeiro. Nos quase 12 km de orla, o acúmulo de lixo ocorre tanto na área de passeio quanto na praia. Materiais que vão de garrafas de vidro até fraldas descartáveis são encontrados no caminho e tornam o sorriso da “Vila” mais apagado.
Segundo a vendedora Bianca Soares, que trabalha num quiosque à beira da praia, é só na alta temporada que a prefeitura volta a olhar para o distrito e os serviços de manutenção e limpeza são feitos de fato. “Demora bastante para que a limpeza da área seja feita pela prefeitura”, reclama a vendedora.
O descaso com a orla, dizem os moradores, é problema antigo. “Desde o prefeito anterior não é feita uma revitalização dessa orla. Algumas vezes são os próprios vendedores que trocam as lâmpadas ou varrem”, afirma Eliza Gonçalves, aposentada que mora há 20 anos em Icoaraci. Vendedores de coco da orla há pelo menos 30 anos, Carlos Jorge e Nonato Santiago reclamam que a orla está ‘entregue às baratas’.
Segundo Carlos Jorge, as próprias barracas que foram padronizadas na administração municipal anterior estão deterioradas. “Eu mesmo tive que comprar uma lona para cobrir a barraca porque o telhado está furado”, reclama o vendedor, que diz já ter ido à agência distrital para solicitar melhorias. “A gente paga uma taxa para ficar aqui, mas não recebe nada em troca, até agora ninguém deu uma resposta sobre o nosso pedido” disse Carlos Jorge.
Segundo informações da prefeitura municipal de Belém, durante o veraneio há um aumento considerável na produção de lixo. A quantidade normal coletada fica entre 10 e 13 toneladas diárias de lixo, mas no mês de julho pode chegar a 80 toneladas. Josiel Antônio Soares, morador e vendedor de lanches na orla, diz que existe falta de consenso entre vendedores e consumidores. “Às vezes a gente até pede para não jogar na rua, na praia, mas o cliente pode não gostar, então a gente até evita chamar a atenção deles”, diz o vendedor. Ele afirma também que nesse caso “a culpa é mais do consumidor, que não tem consciência de que o que ele joga aqui não vai desaparecer com mágica”.
DESCASO
Para os visitantes, a orla é uma opção de lazer mais próxima da cidade. Mas o estado do local incomoda. A socióloga Ariana Silva, que é frequentadora do espaço, reclama de descaso. “Essa orla deveria ser mais valorizada, a gente acaba deixando de vir pela falta de segurança e pelo excesso de pedintes, o que demonstra que o problema não é apenas estrutural, mas também social”.
Ariana reclama também da segurança. “Já fui assaltada aqui por uma pessoa que se aproximou de mim para supostamente me oferecer um relógio, não dá para ficar relaxada”, lamenta.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Belém informou ao DIÁRIO que a coleta de lixo na orla de Icoaraci é regular, mas que devido às reclamações, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) será acionada para que sejam tomadas as devidas providências. Apesar das reclamações de falta de segurança no local, durante três visitas feitas pela equipe do DIÁRIO em horários e dias da semana distintos, foram encontradas viaturas fazendo o policiamento da região. Um cabo da Polícia Militar que preferiu não se identificar afirmou que a ronda da orla é feita diariamente por viaturas da 8ª ZPOL. (Diário do Pará)
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