A estrutura é toda montada para garantir o máximo de privacidade. Geralmente estruturada por um corredor cercado por muros altos, a entrada é construída para preservar ao máximo a identidade dos clientes. Independente disso, a segurança de clientes e funcionários dos motéis e casas de cômodo não pode ser ignorada.
Determinada pelo decreto estadual 2423/82, os estabelecimentos comerciais de diversão pública têm por obrigação exercer procedimentos administrativos de segurança para funcionar. Independente de serem hotéis, pensionatos, pensões ou motéis, a identificação das pessoas que se hospedam nesses lugares é uma exigência legal. Apesar disso, de acordo com o delegado de polícia da Divisão de Polícia Administrativa (DPA), Roberto Chada, muitos estabelecimentos deixam de cumpri-los sob a justificativa da preservação da intimidade de seus clientes. “É uma questão cultural. As pessoas não querem apresentar a identidade e, se o motel exige, acabam indo para outro”, afirma.
Segundo o delegado, dos 150 motéis registrados na Região Metropolitana de Belém, apenas um cumpre o procedimento de registro exigido ao anotar e encaminhar o livro de hóspedes para a delegacia mensalmente. “É necessário identificar a pessoa que frequentou o local por uma questão de segurança, caso aconteça alguma coisa dentro do estabelecimento. Isso é determinado por lei”.
Ele reconhece que a fiscalização do que os clientes levam para dentro de um quatro de motel é complicada, mas afirma que o dono do estabelecimento pode ser responsabilizado pelo que acontece no local. “Geralmente as pessoas vão no carro, então, é difícil de verificar o que tem no veículo”, afirma. “Mas o dono do estabelecimento é responsável pelo que acontece dentro do estabelecimento dele, por isso ele tem que garantir o mínimo de segurança”.
Gerente geral de um conhecido motel de Belém, em funcionamento há mais de 30 anos, Walter Bezerra diz não enfrentar grandes dificuldades para cumprir os procedimentos. Apesar da resistência de alguns clientes, ele aposta na conversa para garantir que tudo ocorra bem. “É natural. Nós mantemos um livro de registro dos hóspedes para, caso aconteça algum incidente, nós tenhamos o registro”.
Segundo ele, a maioria entende a necessidade de controle para a maior segurança. “Cerca de 60% das pessoas encaram numa boa porque é para a segurança deles mesmos. Já para os que resistem, nós explicamos o porquê do registro e a maioria acaba entendendo”, garante. “É possível cumprir as regras, desde que haja um diálogo. Em uma conversa se explica que é necessário porque é a norma”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar