Décadas de 50 e 60. Avenida João Alfredo, centro comercial de Belém. As mocinhas e jovens da época fazem suas compras pelas lojas do local, buscam as novidades do momento. Outros aproveitam o espaço para passear, as moças exibindo os longos vestidos e os homens trajando os elegantes paletós e bengalas.
Julho de 2011. A avenida está lotada de pessoas. Os produtos à venda não se restringem as lojas, estão expostos em quase todos os cantos da rua. As pessoas andam apressadas e a beleza dos antigos casarões pode até passar despercebida. A ocupação irregular da rua torna a vida dos pedestres e consumidores um transtorno.
Em alguns trechos da rua é quase impossível caminhar. As barracas de vendas de mídias piratas disputam espaço com a comercialização de alimentos, bolsas, roupas, sapatos, sombrinhas. Para os pedestres, restam apenas parte das calçadas.
E que muitas vezes também oferecem obstáculos: pequenas barracas, máquinas de sorvete e até mesmo vendedores tentando atrair clientes para suas lojas.
É comum até encontrar um pequeno “engarrafamento” de pessoas, que precisam aguardar para poder seguir ao seu destino. Um verdadeiro labirinto humano que toma conta de todos os espaços. “A gente sabe que as pessoas precisam trabalhar, mas já estão ocupando todo o espaço. Em épocas de muito movimento fica uma confusão só”, diz a dona de casa Letícia Bastos.
Para os trabalhadores, ocupar a via é tido como uma questão de necessidade para aumentar as vendas. “Ter que enfrentar o sol e a chuva não é fácil, mas o movimento é maior aqui na rua mesmo. As pessoas que descem dos ônibus às vezes vão ver outra coisa, mas passam por aqui e acabam se agradando de algo”, conta Maria Campos, que trabalha com vendas no comércio há 25 anos.
A possibilidade de ter que sair do local não agrada quem já está habituado às vendas na rua. “Querem nos colocar em um prédio, mas acho que lá dentro não vamos vender nada. Sem contar que querem tirar só a gente aqui e os das transversais vão ficar. Espero que não chegue esse dia de ter que sair”, lamenta a vendedora.
(Diário do Pará)
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