A pesquisa “Polimorfismo D727E no gene TSHR em pacientes com carcinoma bem diferenciado da Tireóide”, da Universidade Federal do Pará, foi premiada no XXIII Congresso Brasileiro de Genética Médica, realizado no mês de Julho, em Cuiabá, Mato Grosso. O trabalho foi o vencedor dentre os 40 melhores trabalhos escolhidos para apresentação oral no congresso que concorreram ao prêmio.
A pesquisa desenvolvida pelo médico e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular, Alberto Mitsuyuki Kato, com orientação do professor Luiz Carlos Santana e apoio dos estudantes de pós-graduação Nathalia Lima e Erik Alves, demonstrou que há relação entre a presença da mutação D727E com o Câncer da tireóide, especialmente na forma benigna denominada Bócio Nodular Colóide.
Expectativa – Para o orientador, a premiação não era esperada, visto que no Congresso foram selecionados para apresentação cerca de 200 trabalhos, sendo 160 na forma pôster e 40 para apresentação oral, além da alta relevância das outras pesquisas.
“Ficamos muito orgulhosos. Isto mostra que a pesquisa realizada na região Norte do país, especialmente na UFPA é considerada de ponta, apesar das dificuldades encontradas”, ressaltou o orientador Luiz Carlos Santana.
Para o futuro, os pesquisadores planejam ampliar o número de pacientes e genes investigados com uma parceria desenvolvida com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Rio de Janeiro, que é referência na pesquisa e tratamento do câncer.
Segundo o professor do Laboratório de Erros Inatos do Metabolismo, do Instituto de Ciências Biológicas, Luiz Carlos Santana, a pesquisa foi importante para se começar a entender os mecanismos celulares que podem ser alterados em função da presença de mutações nos genes que codificam proteínas importantes para o funcionamento da tireóide.
Câncer de tireóide - A tireóide é a primeira glândula endócrina, produtora de hormônios, formada no embrião humano e se localiza na região anterior ao pescoço logo abaixo do “pomo de Adão”. Essa glândula é responsável pela produção, armazenamento e liberação dos hormônios que controlam vários processos metabólicos do organismo, como os batimentos cardíacos, a quebra da glicose e gorduras, a temperatura corpórea, dentre outros processos.
O câncer de tireóide é o tumor maligno mais comum das glândulas endócrinas, estando associado à exposição de radiação na cabeça e no pescoço, fatores nutricionais e predisposição genética. Alguns trabalhos recentes mostram que existem várias mutações envolvidas na gênese do câncer da tireóide, uma delas é o polimorfismo D727E.
Esse tipo de câncer costuma trazer o aparecimento de um ou mais nódulos indolores no pescoço com crescimento lento e gradativo que podem ser detectados pela própria pessoa com o auto-exame. Além disso, o tumor pode fazer com que a voz da pessoa fique rouca, dificultar a ingestão dos alimentos e até própria respiração. No entanto, o câncer não costuma produzir sintomas, por isso é necessária a consulta regular ao médico para exames de rotina.
O tratamento consiste na retirada do tumor por meio de cirurgia, que garante boa probabilidade de êxito, e o acompanhamento com exames de controle freqüentes para impedir o reaparecimento do câncer. (Ascom UFPA)
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