Descobrir que tinha leucemia aos 17 anos foi um choque para a estudante Caroline Souza da Costa. “Foi horrível. Eu era cheia de vida, fazia balé, cursava o segundo ano do ensino médio. Tive que ter apoio psicológico”, conta a estudante que ficou doente no ano passado. Depois veio a quimioterapia e ela teve que deixar a vaidade de lado. “Perdi todo o cabelo e até as sobrancelhas e os cílios”. Foi o início de uma batalha que só deverá ser vencida este ano com o transplante de medula que será realizado em São Paulo.
Mas, apesar do sofrimento, Caroline é uma exceção porque não teve que aguardar na fila dos que precisam de um transplante para viver graças ao irmão Wagner Souza da Costa, de 11 anos, que é compatível e vai doar a medula para ela. Para a maioria dos pacientes a realidade é outra. Muitos aguardam anos, chegam a desistir e até morrem antes de conseguir um doador - um personagem que está ficando cada vez mais raro.
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o número de doadores em todo o país diminuiu 8,3% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao ano passado. Em consequência disso, o número de transplantes também diminui em todo o país. A queda foi de 6% nos transplantes de coração, 8,1% nos de rins, 11,4% nos de fígado e de 47,5% nos transplantes de pulmão.
Wagner, o irmão de Caroline, dá uma lição. “Muita gente fica na fila de espera porque não tem doador. Fico feliz de ajudar minha irmã nesse momento. Não tenho medo e tenho fé de que tudo vai dar certo”, diz confiante o pequeno herói de uma família que agora começa a respirar mais aliviada depois de meses de angústia e medo.
A mãe, Tereza Cristina Souza da Costa, se sensibiliza ao saber que o número de doadores está diminuindo e faz um apelo: “Espero que as pessoas não precisem passar por essa experiência dolorosa e única para se conscientizarem da importância da doação como nós passamos”.
Pará é uma exceção e números são bons
O Pará, segundo o coordenador da Central de Transplantes do Estado, médico André Rodrigues, é uma exceção e aqui o número de transplantes cresce. Só no primeiro quadrimestre deste ano, foram realizados 32 transplantes de rim no Estado, quase a totalidade dos 33 realizados durante todo o ano passado e a perspectiva é fechar o ano com cerca de 50 transplantes desse tipo.
Até junho deste ano já foram realizados 81 transplantes de córnea, mais da metade dos 139 transplantes realizados em todo o ano de 2010. Além disso, foram feitas nove remoções de fígado, dos quais três foram enviados para São Paulo, dois para Recife, dois para Fortaleza e dois não foram aproveitados por falta de receptores compatíveis.
Mas a lista de espera ainda é grande. Aguardam por um rim, em todo o Pará, 693 pacientes renais crônicos. Outros 748 esperam por uma córnea.
INTERIORIZAÇÃO
O Estado também se prepara a interiorização dos transplantes. Os de rim, por exemplo, que só eram realizados no Hospital Ophir Loyola, em Belém, devem começar a ser feitos também no Hospital Regional do Araguaia a partir de agosto. No hospital também já foram feitas a remoção de dois fígados em junho passado.
O Hospital Universitário Betina Ferro, da Universidade Federal do Pará, aguarda somente autorização do Ministério da Saúde para iniciar os transplantes de córnea, que até agora só eram feitos no Ophir Loyola e em Santarém, numa clínica particular, mas em breve eles também deverão ser realizados no Hospital Regional do Baixo Amazonas. O Estado, onde já foram realizados 27 transplantes de coração, também se prepara para retomar esse tipo de cirurgia - que deixou de ser feita há alguns anos - agora no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna.
André Rodrigues informou que o médico Silvano Raia, pioneiro em transplantes de fígado no Brasil e no mundo, estará em Belém nos dias 2 e 3 de agosto próximo, quando será tratada a implantação de transplante de fígado no Hospital Metropolitano.
O transplante de medula, segundo André Rodrigues, “é um procedimento simples, mas o cuidado com o paciente é complexo porque ele perde todas as suas defesas e até uma gripe pode matá-lo”. Esse procedimento só não é feito no Pará porque são é de responsabilidade do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Mas já existem negociações para a realização desse procedimento no Estado. As campanhas de doação devem ser contínuas, diz o médico. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar