Seis meses depois do desabamento do edifício Real Class, no dia 29 de janeiro deste ano, muitas pessoas que de alguma forma foram prejudicadas pelo acidente ainda não receberam nenhuma indenização. O prédio de 34 andares, que estava sendo construído na travessa 3 de Maio, caiu por volta das 14h, deixando um saldo de três pessoas mortas e três feridas. A data será lembrada hoje com uma missa organizada pelos parentes das vítimas.
Genro de dona Maria Raimunda Fonseca Santos, uma das vítimas fatais do acidente, Osmar de Souza disse ontem que até agora “está tudo parado, nem notícias temos de indenização. Ninguém recebeu nada”. Segundo ele, a única coisa que a empresa Real Class, responsável pela construção do edifício, fez, foi alugar um apartamento para o sogro dele, Antônio Emídio Araújo morar, isso depois de ele passar 70 dias na casa do genro.
No local onde estava sendo construído o edifício, tudo o que se vê são escombros e restos de ferro retorcido do que sobrou das 4 mil toneladas de entulho que foram retiradas da área.
Com 80 anos, seu José Machado Carneiro reclama do abandono da casa da filha, Marileide Serra Carneiro, que foi atingida pelos escombros do edifício. A Real Class cercou com tapumes e ficou com as chaves da casa que estava alugada, mas teve que ser desocupada por ordem da Defesa Civil. Segundo seu Carneiro, a casa acabou sendo saqueada, a exemplo de vários outros imóveis na mesma situação, e nada foi feito até agora. “Nem as chaves eles devolveram”.
Ele conta que a própria filha teve que mandar reformar a casa por falta de apoio da Real Class, que não respeitou nem mesmo a idade dele, que teve o pedido de atendimento prioritário negado pela empresa. “Se aos 80 anos não tenho prioridade, quem tem?”, questionou. Também morreram no desabamento os operários Manuel Raimundo da Paixão e José de Paula Barros.
Os únicos indenizados até agora pela empresa foram pessoas que sofreram danos materiais e recorreram à Defensoria Pública por não terem recursos para pagar advogados. Segundo o defensor público Rodrigo Cerqueira, 52 pessoas recorreram à Defensoria que fez 25 vistorias em casas por meio de uma equipe formada por três defensores, um engenheiro e uma psicóloga, coordenada por Cerqueira. Dos que recorreram ao órgão, dois decidiram entrar na Justiça, um ainda está em andamento e outros 20 tiveram pedidos arquivados. Para o arquivamento, segundo a Defensoria Pública, existem vários motivos: há os que somente solicitaram informações, os que não apresentaram a documentação necessária, os que não responderam ao chamado da Defensoria e os que foram considerados de classe econômica não necessitada.
TRAUMA
Para Sonia Castro, moradora do edifício Blumenau, próximo de onde ocorreu o desabamento, as imagens daquele dia nunca mais serão esquecidas e tudo o que ela viveu alterou seu dia-a-dia. “Depois de um mês da queda comecei a ter pesadelos, quase todos os dias. Ver aquela cena, aquela poeira, aqueles escombros. Tudo isso meu deixou mal. Agora me sinto um pouco melhor, mas quando ouço qualquer barulho fico preocupada”, comenta. (Diário do Pará)
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