Portadores de anemia falciforme - uma doença hereditária caracterizada pela má formação das hemácias que causam deficiência do transporte de oxigênio no organismo – Luan Kalven Borges de Aviz, 8, e Ruan Breno Oliveira, 11, recebiam transfusões de sangue, ontem, no Hemopa (Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará), que completa 33 anos hoje e amplia o horário de coleta de sangue.
O tratamento de pessoas portadoras de doenças hematológicas que precisam de transfusão de sangue para continuar vivas como Luan e Ruan, além dos hemofílicos e portadores de leucemia, é um dos aspectos menos conhecidos do segundo hemocentro inaugurado no Brasil, cujos profissionais e voluntários doadores ajudam a salvar vidas todos os dias.
O fotógrafo Jaime Monteiro de Souza, 33, também foi salvo por doadores anônimos de sangue. Em 2006, após um acidente de moto que o deixou com o fêmur fragmentado, três costelas e um braço quebrados e o pulmão perfurado, ele precisou de transfusão para resistir a várias horas de cirurgia. Doador de sangue desde os 20 anos de idade, ele pensava que nunca ia precisar. “A cirurgia foi complexa e a doação ajudou a salvar a minha vida”, conta, agradecido pelos doadores anônimos. “As pessoas acham um bicho de sete cabeças, mas doar sangue é doar vida sem ter que abrir mão dela”, afirma. Ele continua doador.
Ressentindo-se de uma queda de cerca de 30% no número de doações em função das férias escolares, a direção do hemocentro decidiu comemorar o aniversário da Fundação ampliando o horário de coleta de sangue aos sábados, que passará de 7h30 as 12h30, para 7h30 as 17h. A comemoração se dará por todo o mês de agosto. Aos sábados haverá distribuição de camisetas e lanche especial aos doadores que efetivarem a coleta. A meta é alcançar 150 coletas aos sábados.
O hemocentro também enfrenta dificuldades com a insuficiência de oferta de sangue dos tipos negativos. A situação chegou a interferir no atendimento transfusional da rede hospitalar em julho. Responsável pela coordenação da Política Estadual de Sangue do Pará, o Hemopa tem cerca de 400 mil doadores cadastrados e um comparecimento mensal de cerca de 6 mil doadores. A média diária é de 250 doações de sangue e cerca de 300 atendimentos transfusionais.
A fundação abastece 218 hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS), entre eles, grandes emergências, maternidades e UTIs. Hoje, a hemorrede paraense é composta por 49 unidades, sendo que três hemocentros regionais (Marabá, Santarém e Castanhal), cinco núcleos de hemoterapia (Abaetetuba, Altamira,Tucuruí, Redenção e Capanema) e mais 40 agências transfusionais (ATs), espalhadas pelo Estado.
Vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa), o hemocentro foi instituído pelo decreto nº 10.741, no dia 2 de agosto de 1978, sob a denominação Fundação Centro Regional de Hemoterapia do Pará (Funepa).
COMO DOAR
Para doar sangue, basta ter boa saúde, ter entre 16 e 67 anos e comparecer ao Hemopa portando documento de identidade. Para doar medula, a idade é de 18 a 55 anos. O Hemopa fica na travessa Padre Eutíquio, 2109. Maiores informações pelo fone: 08002808118.
(Diário do Pará)
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