A Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia e o Instituto Paulo Fonteles enviaram ontem uma carta aberta ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pedindo o apoio dele para que as indenizações concedidas aos camponeses da região do Araguaia sejam liberadas judicialmente.
O processo se arrasta por dois anos, desde que o deputado Jair Bolsonaro tomou a tribuna da Câmara dos Deputados e fez um contundente discurso contra os camponeses, chamando-os de “marginais do Araguaia”. Em seguida, um advogado deu entrada em uma ação civil pública na 27a Vara Federal do Rio de Janeiro e o juiz substituto, José Carlos Zebulum, decidiu suspender os direitos à reparação econômica que seria dada aos moradores da região.
Os camponeses reivindicam o direito a uma indenização da União por terem sido colocados no meio de uma luta entre militares e guerrilheiros na região do Araguaia no início dos anos 70. Muitos foram presos e torturados. Outros, obrigados a auxiliar o Exército como mateiros na campanha de caça aos militantes do PCdoB nas matas da região.
“Por todo um período histórico fomos atingidos violentamente quando, em 1972, tropas militares ensandecidas invadiram a região, palmilharam nossas casas e roças, perseguindo a nós e aos nossos amigos que chamávamos carinhosamente de “Povo da Mata” e que depois se tornariam guerrilheiros lutando pela insurgente liberdade. Nesse processo o regime se voltou contra os guerrilheiros e, também, contra nós. Pudemos conhecer a tortura, o pau-de-arara, nossas filhas foram violadas e fomos atingidos naquilo que para nós é mais sagrado, a dignidade. Nossas poucas terras foram tomadas e nos submeteram à miséria”, diz um trecho da carta.
Dois anos atrás o governo decidiu reparar os danos causados aos que se viram em um fogo cruzado sem saber exatamente o que estava ocorrendo. Em uma cerimônia realizada em São Domingos do Araguaia, houve pedido de perdão oficial do governo. O ato político reconheceu os camponeses na condição de anistiados políticos e, por conseguinte, a reparação econômica. “Dois anos já se passaram e cinco daqueles que estavam naquela festa democrática de São Domingos já foram a óbito”, diz a carta.
(Diário do Pará)
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