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Cupuaçu some das feiras e preço sobe

Quando saiu à procura do cupuaçu, na tarde de ontem, para fazer sucos que seriam consumidos pela família durante as refeições, a dona de casa Maria de Nazaré, 48 anos, se decepcionou. Andando pelo complexo do Ver-o-Peso ela não encontrou a fruta em nenhum

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Quando saiu à procura do cupuaçu, na tarde de ontem, para fazer sucos que seriam consumidos pela família durante as refeições, a dona de casa Maria de Nazaré, 48 anos, se decepcionou. Andando pelo complexo do Ver-o-Peso ela não encontrou a fruta em nenhum estabelecimento. “No máximo encontrei a polpa, mas achei o preço muito elevado para pouca quantidade. Prefiro a fruta. Eu mesma tiro a polpa e guardo na geladeira, sai bem mais em conta para o meu bolso”, afirma.

No mercado, o fruto, que aliado ao açaí é a cara do Pará, faz falta não só para quem procura. O orçamento da vendedora de frutas Sandra Moreira, por exemplo, caiu muito de maio para cá. Cupuaçu é o carro-chefe de sua barraca há mais de trinta anos. “Quando está fora de época eu tenho que me virar com outras frutas que não têm tanta saída. É só olhar: está quase terminando o dia e ainda tenho muita maçã, abacaxi e tangerina. Se fosse cupuaçu, já tinha vendido tudo há muito tempo”.

Mesmo o Pará sendo o maior produtor da fruta no Brasil, há escassez dela em quase todos os principais mercados da cidade. O motivo é o período da entressafra. Tentando garantir o consumo local e a exportação por aqui, empresas estão comprando o cupuaçu de outros Estados, como Bahia e Rondônia. De acordo com Sérgio Menezes, gerente executivo de estudo do agronegócio da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), a sazonalidade, o consumo e a atuação da praga “vassoura-de-bruxa” têm ocasionado transtornos ao setor, que precisa importar aproximadamente 10% de toda a produção.

“O que temos observado é o aumento do consumo da fruta, tanto no Pará como em outros Estados. Apesar de termos 14.300 hectares de área plantada e uma produção anual de 40 mil toneladas do fruto, o que corresponde a mais de 60% do que é produzido em todo o Brasil, temos algumas fragilidades para garantir o abastecimento entre maio e outubro, período da entressafra. Pensando nisso, a Sagri está fomentando a cadeia produtiva com várias ações”, destaca.

No ano de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram produzidas 40.548 toneladas do fruto. Boa parte da produção, segundo a Sagri, é proveniente de plantas de baixa ou nenhuma qualidade genética e pouco resistentes à “vassoura-de-bruxa”, daí a necessidade do programa de estímulo aos produtores.

CUSTO ALTO

Adquirir o fruto dos baianos custa ao produtor paraense a quantia de R$ 2,50 o quilo da polpa, enquanto que o preço do quilo do fruto pago ao produtor no Pará custa R$ 0,90. O cupuaçu por lá é abundante, já que não existe uma demanda muito grande. Por isso, os produtores estão preparados para um grande volume de pedidos. Mesmo assim, a Sagri informa que na Bahia, o cupuaçu ainda é pouco explorado. “Continuamos sendo os maiores consumidores e maiores produtores”, completa Sérgio Menezes.

De olho no mercado, a Sagri implantou uma parceria com a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta). A secretaria implantou um programa que vai adquirir 60 mil sementes de cupuaçu melhoradas geneticamente para possibilitar a formação de cerca de 57 mil mudas a serem distribuídas a 400 pequenos produtores das regiões com potencial para o cultivo do fruto. (Diário do Pará)

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