A insegurança em cada travessia de rua é constante. Muitas vezes, os carros tiram o “fino” de quem se arrisca nas faixas conhecidas como cidadãs ou de pedestre. O problema não está apenas naqueles que muitas vezes não respeitam o atravessar dos pedestres. As complicações dessas faixas para o trânsito trazem à tona mais uma vez a dúvida do que realmente seria melhor para a segurança da população e para a fluidez dos veículos.
A Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), que é responsável pela escolha e colocação das faixas de pedestre nas ruas do município, afirma que antes da implantação é feita uma analise técnica para identificar a segurança, a fluidez e a quantidade de carros e pessoas que passam pelo local. “A contagem técnica é feita para o projeto, mas o condutor de Belém ainda não está educado para ter o costume de respeitar os mais fracos”, comentou o diretor de trânsito da CTBel, Elias Jardim.
Somente na capital existem cerca de mil faixas de pedestre, incluindo as colocadas nos semáforos. O órgão diz que tem duas soluções para tentar amenizar o problema que muitas vezes essas faixas podem causar ao trânsito. Uma seria substituí-las por passarelas ou colocar semáforos em locais onde o trânsito é muito intenso. “Na avenida Júlio Cesar, após o viaduto, o trânsito é bem confuso por causa da faixa cidadã, pois as pessoas não usam a passarela que foi colocada. Então, a opção será colocar um semáforo para controlar a fluidez”, explicou o diretor.
E realmente atravessar em uma faixa de pedestre é uma aventura. A equipe do DIÁRIO percorreu alguns locais de Belém e pôde constatar que os pedestres levavam em média três minutos para conseguir que os veículos parassem.
No bairro de Nazaré, próximo à Basílica Santuário, a dificuldade é a mesma. Quem mais sofre com isso são os idosos, que na maioria das vezes esperam alguém ou até mesmo um grupo para poder atravessar a avenida.
“Se não aparecer ninguém, peço ajuda, porque não tenho coragem de andar sozinha. Muitas vezes, eles passam atrás de mim, sem ao menos eu ter chegado à outra calçada”, se queixou a idosa de 68 anos Rosana Lima.
No mesmo instante em que a reportagem estava em Nazaré, as tentativas de várias pessoas em atravessar a avenida foram inúmeras. Muitas chegavam a andar até a metade da faixa e voltavam por receio de os carros não pararem.
RISCO
O autônomo Ednaldo Vilhena, 51 anos, quase foi atropelado por um veículo de passeio. “Já fiquei sabendo que temos que fazer sinal com a mão para informar que queremos atravessar. E fiz isso, mas a maioria desses condutores não respeita. Pelo menos aqui o ideal seria um semáforo, pois é constante essa imprudência com os pedestres”, desabafou. Alguns motoristas alegam que não param por pressa. “Se eu não parar, o de traz sempre para. E normalmente quando não paro é porque estou com pressa de seguir”, disse o comerciante Rogério Nobre. A CTBel explica que a companhia realiza algumas ações educativas no trânsito para conscientizar os motoristas e tem obtido sucesso. (Diário do Pará)
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