A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o caso de tráfico humano no esquema desmantelado pela Polícia Civil em dezembro do ano passado realizou ontem sessão para depoimento do principal suspeito, Edson dos Santos Carneiro Júnior, a travesti “Biane”, acusado de aliciar cinco jovens menores de idade que foram levados a São Paulo onde sofreram exploração sexual.
O esquema levava jovens à capital paulista com a promessa de trabalho, hospedagem e alimentação garantidos, a ém de cirurgias plásticas, tudo dentro de um pacote que custava entre R$ 10 mil e R$ 14 mil, pagos pelos jovens através da prostituição. Durante as investigações, duas pensões foram encontradas na capital paulista, sendo que em uma delas havia 85 travestis dos quais 70% eram paraenses.
O depoimento de Biane foi curto e interrompido diversas vezes por alguns companheiros do travesti. “Quem vai, vai sabendo o que vai fazer. Ninguém é levado à força”, reclamava Larrat, uma das companheiras de Biane.
Biane negou qualquer envolvimento com o esquema, negou ter aliciado os jovens e qualquer contato com Yasmin, suposta sócia que fazia a recepção dos jovens em São Paulo.
Depois das diversas interrupções e das negativas de Biane, foi dado a ele o direito de depor reservadamente aos componentes da CPI. Além do travesti, um dos jovens aliciados e sua mãe também vão depor em reservado, no entanto as sessões ainda não estão marcadas. (Diário do Pará)
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