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Guerrilha do Araguaia: restos mortais encontrados

Apesar de a assessoria do Ministério da Defesa não confirmar, integrantes do Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) garantem que restos mortais de um possível guerrilheiro foram encontrados no cemitério de Xambioá (TO) e retirados na semana passada para serem a

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Apesar de a assessoria do Ministério da Defesa não confirmar, integrantes do Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) garantem que restos mortais de um possível guerrilheiro foram encontrados no cemitério de Xambioá (TO) e retirados na semana passada para serem analisados.

A declaração foi do representante do PCdoB, Paulo Fonteles Filho, que acompanhou a expedição em Xambioá. Ele faz parte da equipe que antecipa o trabalho de campo do GTA, levantando informações com moradores antigos da região que testemunharam o sepultamento dos guerrilheiros e viabilizando a busca pelos corpos. Segundo Fonteles, a ossada encontrada estava perto das covas onde foram descobertos os corpos de Maria Lúcia Petit (em 1992) e Bergson Gurjão (em 1996), devidamente identificados.

Os relatórios dos peritos que participaram da última expedição do GTA, entre o dia 24 de julho e o último dia 4, ainda serão finalizados. O grupo, composto por aproximadamente 30 pessoas, fez escavações no cemitério de Xambioá e os resultados do trabalho de campo agora serão enviados à Justiça Federal. Só depois disso ficarão disponíveis à consulta.

Paulo Fonteles acredita que dezoito guerrilheiros foram assassinados no entorno de Xambioá e que pelo menos 14 deles foram enterrados no cemitério da cidade. Ele acredita que a ossada encontrada na última expedição pode ser de um guerrilheiro, assim como a que foi encontrada no mesmo local em outubro do ano passado, que ainda está sob análise para identificação pela Polícia Federal, Força Nacional e IML do Distrito Federal, em Brasília. “O problema é que as ossadas estão em estado que dificultam mesmo o trabalho de identificação”, explica Fonteles.

Ele acrescenta que o trabalho de coletar o testemunho dos moradores antigos tem o objetivo não só de apontar onde os assassinados pelo regime militar foram enterrados, mas também de remontar as condições em que os guerrilheiros foram mortos. “Nos interessa também contar uma história que a sociedade brasileira ainda não conhece. Queremos mostrar a dimensão da violência aplicada pelo Estado brasileiro na região. Com os relatos das pessoas chegamos à conclusão de que mais de 300 pessoas foram assassinadas e isso não pode ficar encoberto”, desabafa Paulo Fonteles.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa, a próxima expedição deve começar em torno do dia 20 e seguir até o fim do mês. Além da Defesa, o Ministério da Justiça e a Secretaria dos Direitos Humanos encabeçam o GTA. (Diário do Pará, Marabá)

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