Os médicos vão suspender o atendimento a pacientes de planos e seguros de saúde, em todo o país, no dia 21 de setembro, para reivindicar reajustes periódicos nos honorários. Eles recebem, em média, R$ 32 por consulta e querem que as operadoras paguem pelo menos R$ 80.
O protesto só vai abrir exceção para os casos considerados de urgências ou emergências. O Brasil tem 110 mil médicos que atendem 1.044 planos de saúde. Esta será a segunda manifestação organizada só neste ano. Em 7 de abril passado, Dia Mundial de Saúde, os médicos também pararam.
Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa as maiores operadoras de planos de saúde, informou que vem participando ativamente dos fóruns de debates sobre remuneração médica liderados pela Agência Nacional de Saúde (ANS), e também das câmaras técnicas da Associação Médica Brasileira. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) não se pronunciou sobre o assunto.
RECLAMAÇÕES
“As operadoras dificultam o trabalho dos médicos. Além de pagar menos, elas criam obstáculos para a solicitação de exames e internações e fazem pressão para a redução de procedimentos. Isso causa prejuízo aos pacientes”, disse Cid Carvalhaes, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam).
Renato Azevedo, presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo, disse que a situação dos médicos é insustentável e que nos últimos 10 anos os reajustes dos honorários foram irrisórios, enquanto os planos aumentaram suas mensalidades bem acima da inflação. Segundo ele, o paciente paga caro pelo plano e acaba sendo atendido por um médico que recebe, em alguns casos, R$ 25 pela consulta.
CONTRATOS
Além do reajuste da consulta para R$ 80, a categoria também cobra a regularização dos contratos entre médicos e operadoras, com a inclusão de cláusula de reajuste anual baseado no índice autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais.
Os médicos também exigem o fim das pressões das empresas para a redução das solicitações de exames. O DIÁRIO não conseguiu falar com a direção do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) para saber se a categoria vai aderir à paralisação (Diário do Pará, com informações da Agência O Globo).
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