Chocantes para muita gente, as cenas de uma cirurgia no ombro e outra de uma fratura no fêmur, transmitidas ao vivo, na manhã de ontem, direto de um grande hospital de Belém, especializado em traumatologia, para uma das salas do Hangar Centro de Convenções, prenderam completamente a atenção do público que participou do encerramento do XII Congresso Paraense de Ortopedia e Traumatologia.
Promovido pela regional paraense da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT-PA), o evento, iniciado no sábado, reuniu uma grande número de médicos especialistas da área e de acadêmicos de medicina, fisioterapia e outras áreas afins.
Os avanços do setor foram demonstrados ao vivo, enquanto as cirurgias se realizavam. O presidente da SBOT-PA, médico Fernando Brasil, destacou alguns desses avanços que tornaram as cirurgias, apesar de mais caras por causa dos aparelhos utilizados, menos ofensivas e até mais econômicas para o Estado, porque os pacientes passam menos tempo nos hospitais e voltam mais cedo para o trabalho.
Uma fratura da tíbia, por exemplo, que tinha um prazo de recuperação de quatro a seis meses, com tratamento na base de gesso, hoje pode ser tratada com cirurgias menos traumáticas, feitas com pequenas incisões e implantes ortopédicos, e o paciente já pode até andar no dia seguinte.
Segundo Fernando Brasil, esses avanços da ortopedia e da traumatologia, com a mesma qualidade disponível em países da Europa e dos Estados Unidos, já estão disponíveis nos hospitais de Belém, embora o acesso a elas seja só “parcialmente nos hospitais públicos”.
Um acesso que acabou sendo negado aos pacientes do SUS pelos 12 médicos traumatologistas registrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Estado, que entraram em greve no mês de julho, sob a alegação de baixa remuneração pelo serviço.
O problema só foi resolvido depois que as secretarias de Saúde do Estado e do Município de Belém decidiram dar um aumento de 200%. Segundo Fernando Brasil, não houve grandes prejuízos aos pacientes porque só foram suspensas as cirurgias eletivas (marcadas) e os atendimentos de urgência continuaram nos hospitais, apesar de a imprensa ter divulgado casos de pacientes graves que custaram a ser atendidos.
Fernando Brasil afirmou ainda que o Estado só tem 140 ortopedistas, um número “bem menor do que o ideal”. Mas, segundo ele, a partir do ano que vem será iniciado o programa de residência médica em ortopedia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) no hospital Porto Dias. (Diário do Pará)
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