O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência fez, nesta quarta-feira (17), a primeira captação de múltiplos órgãos e tecidos, um marco para a unidade, que é referência no Estado em atendimento de casos de trauma de média e alta complexidade. A equipe responsável pela captação é do Hospital Ophir Loyola, que faz o mesmo trabalho em todos os Estados da região Norte do País.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), via Centro Nacional de Captação de Órgãos (CNCDO), tem apoiado o desenvolvimento de projetos de descentralização de captação de órgãos em todo o Pará. O Idesma, organização gestora do Hospital Metropolitano e do Hospital Regional Público do Araguaia – que este ano já fez duas captações de órgãos –, também tem investido em projetos de pesquisa para o desenvolvimento da saúde no Estado.
O médico do Hospital Metropolitano Maurício Iasi explica que o projeto Amazônia Transplante, proposto pelo Idesma ao governo do Estado, prevê a descentralização de centros de transplantes e captação de órgãos e o aumento do acesso dos pacientes aos programas. Outra meta é a regionalização de transplantes mais complexos. Além disso, segundo ele, existe um estudo para a construção do Hospital Universitário Amazônico de Transplantes, em parceria com a Sespa, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Ministério da Saúde.
“Até então, as captações eram feitas somente no Ophir Loyola, que era o único lugar onde era feita a prova documental da morte encefálica. Agora, com a reestruturação do Hospital Metropolitano, a profissionalização da Comissão Intra-Hospitalar de Órgãos e Tecidos para Transplantes e a contratação de alguns serviços, será possível fazer a captação de múltiplos órgãos e tecidos no centro de referência do Estado em trauma, onde é grande a probabilidade de surgirem doadores”, diz Maurício Iasi.
A medida aumenta a possibilidade de se viabilizarem órgãos e tecidos para transplantes, além de minimizar transtornos relacionados à transferência de um doador de um hospital para o outro. Segundo Maurício Iasi, este esforço vem se somar a uma série de outras ações que fazem com que o Pará, no fim do primeiro semestre deste ano, já tenha viabilizado mais doadores falecidos do que no ano de 2010 inteiro. Ano passado, no Pará, foram nove doadores efetivos, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Em 2011, já foram viabilizados 36 doadores.
O coordenador geral do Sistema Nacional de Transplante, Éder Muralha Borba, disse, em recente visita ao Pará, que o Ministério da Saúde está atento para o crescimento da captação de órgãos na região Norte e que, por isso, pretende investir recursos nesses Estados. “A região Norte tem apresentado um aumento de doadores de órgãos para captação, mas não faz transplantes. Essa é uma prioridade para o Ministério da Saúde. Precisamos que o Pará comece a fazer, em um curto espaço de tempo, transplantes, sobretudo de rim e fígado”, completou. (Agência Pará)
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