As certificações concedidas pelo governo estadual às Organizações Sociais (OS) que administram os hospitais regionais paraenses estão sendo investigadas pelo Ministério Público e, se for detectado desvio da finalidade social, o MP poderá ajuizar ação civil pública para desqualificar estas entidades.
Serão analisadas as concessões às OS oriundas da década de 1990. Ontem pela manhã, o promotor de Fundações e Entidades de Interesse Social, Sávio Brabo, se reuniu com o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, quando foram apresentados dados de atendimento das entidades.
Segundo o secretário, o Estado faz acompanhamento das OS no gerenciamento dos hospitais. Em 2010, informa Franco, foram repassados R$ 242 milhões as quatro OS que administram os hospitais regionais de Santarém, Altamira, Redenção, Breves, Marabá e o Metropolitano, além da Ure-Rei, estes dois últimos em Belém e Ananindeua.
O secretário entregou o relatório de gerenciamento ao promotor e informou que o conselho gestor está em fase de implantação no hospital de Santarém. Franco admite que nos últimos dois anos e meio não houve fiscalização adequada na administração dos hospitais, inclusive na prestação de contas. Disse ainda que não houve a instalação dos conselhos gestores. Mas Franco admite que não há ainda a preocupação com a atuação social dos hospitais, como requer o MP para casos de excedentes de recursos serem aplicados em ações voltadas para a comunidade.
No caso da Idesma, que administra o Metropolitano e os hospitais de Redenção e Altamira, a preocupação até agora tem sido com a oferta de serviços de média e alta complexidade à população. Para isso, a Sespa já trabalha para expandir os serviços, inclusive de endocrinologia, através de aditivo no contrato com a OS.
Segundo Franco, ainda não foram detectadas irregularidades na administração dos hospitais pelo grupo técnico formado para avaliar as metas estipuladas.
A partir deste mês, o hospital de Santarém começou a atender pacientes com câncer da região da rodovia Transamazônica, anteriormente atendidos na capital. “O nosso interesse é esclarecer e fazer o que a lei manda. Se as ações sociais fazem parte da legislação das OS, elas terão que cumprir e o governo vai cobrar”, enfatiza Franco. (Diário do Pará)
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