A técnica foi inventada no século XIX, pelo francês Renée Dragon, mas seu primeiro uso comercial aconteceu em 1927, nos Estados Unidos, com o lançamento de uma máquina destinada a documentar cheques. O nome do procedimento? Microfilmagem. A novidade logo se tornou uma boa alternativa para solucionar o problema criado pela grande produção de documentos que precisavam ser salvaguardados por longo prazo. O tempo passou e a ideia se mantém pertinente até os dias atuais. A Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves comprova isso.
Mais do que um lugar onde se armazenam anos e anos de jornais paraenses, a Seção de Microfilmagem da Biblioteca Pública Arthur Vianna, da Fcptn, guarda e preserva a memória cultural contida nesse acervo. O espaço fica no terceiro andar do prédio do Centur e funciona das 8h30 às 18h30.
O processo acontece da seguinte maneira: o acervo é restaurado e depois são criados os microfilmes, espécie de rolos fotográficos, que, com auxilio de uma máquina especifica, são visualizados pelo usuário. Os jornais mais antigos são os primeiros a serem restaurados e microfilmados pela equipe da Fundação, com a preocupação de preservar a memória histórica do Pará.
Segundo a historiadora Luiza Amador, que trabalha na seção, o público que mais visita o espaço é formado por acadêmicos, pesquisadores, escritores e jornalistas. “É comum acadêmicos virem buscar nos jornais paraenses fontes e referências sobre certos assuntos do passado”, conta a historiadora.
O setor possui microfilmes de jornais a partir do século XIX, como a “Folha do Norte”, “O Estado do Pará” e “O Diário do Grão Pará”, além de decretos oficiais e obras raras, como: “Os Jesuítas do Grão Pará”, “A Ilha do Marajó” e “Almanaque Paraense”. Luiza explica: “O espaço serve para acadêmicos, mas também para toda sociedade”. E ela ressalta: não é preciso ser um pesquisador para visitar a seção, já que ela é aberta à comunidade.
“Esse espaço é muito importante. Ele nos ajuda a voltar ao passado. Não imagino como seria se não o tivéssemos”, conta a acadêmica Helen Reis, que pesquisa a evolução da propaganda paraense no século passado.
EFICÁCIA
O mundo exigia maior rapidez na circulação de informação e os sistemas digitais prometiam resolver todos os problemas que o microfilme não havia solucionado. Contudo, com o passar do tempo, verificou-se que as novas tecnologias tinham também os seus inconvenientes, como, por exemplo, a obsolescência rápida dos materiais informáticos (que deixam de ser úteis, mesmo estando em perfeito estado).
Os microfilmes podem durar cerca de vinte anos e, assim, preservam materiais históricos de forma eficaz. Quando inventou a microfilmagem, no século XIX, Renée Dragon não podia imaginar, mas estava criando um valioso mecanismo para ajudar a Fcptn a preservar a memória do Pará, da Amazônia.
Serviço: Setor de Microfilmagem - Biblioteca Pública Arthur Vianna. Fundação Cultural do Pará – Fcptn Centur, terceiro andar. De segunda à sexta, 8h30 às 18h30, na Av. Getil Bittencourt, 650. (Ascom Centur)
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