Os avanços e desafios no combate aos casos de câncer no Estado estiveram entre os assuntos abordados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) durante o Seminário de Discussão sobre Política Oncológica, realizado no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). O debate, cujo tema foi "Dificuldades e Desafios para a Implantação do Serviço Oncológico em um Hospital Universitário", antecedeu ao IV Congresso do Hospital, iniciado nesta sexta-feira, 19, em Belém.
A diretora técnica da Sespa, Dione Cunha, fez uma exposição ampla sobre a atuação do governo do Estado na rede de assistência oncológica. Uma das novidades apresentadas por Dione foi o projeto da secretaria de criar um Centro Qualificador de Ginecologistas a ser implantado na Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (Uremia), que presta assistência a mulheres, crianças e adolescentes, com um modelo diferenciado de atuação, que foge ao formato tradicional das demais unidades de saúde.
Segundo Dione, a criação do Centro vai ao encontro da política de prioridades da Sespa, das quais consta a intensificação nas ações de prevenção ao câncer de útero e de mama, que registram no Estado cerca de 20 casos para cada 100 mil mulheres. Entre outros avanços no combate aos demais tipos de câncer, constam que a reorganização da rede de atenção oncológica obedecerá à concentração populacional, à rede de serviços existentes e à capacidade física instalada. "Devido à demanda ainda reprimida no interior do Estado, o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, já foi habilitado para receber uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), a exemplo do que já vem sendo feito no Hospital Regional de Tucuruí, cuja Unacon já possui empresa contratada para a construção, conforme foi publicado na edição do dia 10 de agosto de 2011 do Diário Oficial do Estado (DOE)", complementa.
Dione também afirmou que, entre outros desafios para o combate ao câncer no Estado, está o de reiniciar a pactuação para conclusão e habilitação da Unacon do hospital Barros Barreto e do hospital oncológico pediátrico, que funcionará anexo ao hospital Ofir Loyola, além da já anunciada aquisição de um hospital privado, com 100 leitos, que receberá a demanda de atendimentos em Clínica Médica e Cirurgias Gerais e procedimentos no fígado, pâncreas e cirurgia bariátrica realizados no Ofir Loyola, que por sua vez será restritamente para atendimento a pacientes com câncer.
A diretora técnica da Sespa esclarece ainda que a secretaria está comprometida no combate à mortalidade por câncer e afirmou ser sempre oportuno discutir a questão da oncologia. "Temos potencial para isso, tanto em patrimônio a caminho da estruturação quanto a capacidade técnica, visto que a Unacon no Barros Barreto vai ampliar o conceito de ensino e pesquisa", afirmou, ao considerar também a importância do fortalecimento da atenção básica e da reestruturação da Vigilância Epidemiológica em Oncologia, sobretudo em municípios de referência.
Além de Dione Cunha, participaram do Seminário o diretor do HUJBB, Eduardo Leitão; Graça Sotero, do Departamento de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), e Rejane Soares, consultora técnica do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que expôs o modelo de cuidado da rede de atenção oncológica utilizado pelo instituto.
Segundo Rejane, seminários do tipo são ideais para o nivelamento de informações entre as três esferas de governo. "Nós vemos de perto as atuações da Atenção Básica e da Secundária. É uma forma de reavaliarmos os serviços oferecidos em favor da construção de um modelo de assistência que atenda as peculiariedades do Estado, reservados os papeis de cada gestão. O paciente recebe em troca agilidade e diagnóstico precoce sem sobrecarregar nenhum serviço”, salientou.
O diretor do HUJBB, Eduardo Leitão, afirmou que o teor dos debates é importante para alinhar as metas da rede assistencial, que depende dos diferentes níveis de atenção dos serviços e da articulação do Estado com as secretarias municipais de saúde. "É um processo que tentamos fortalecer, pois a incidência de câncer vem aumentando no Pará desde a última década. Isso nos demanda atenção, presteza, tratamentos prolongados, acompanhamento adequado, por conta das chances de recorrência e, ao mesmo tempo, uma regulação também efetiva”, concluiu. (Agência Pará)
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