Pela primeira vez, o procedimento de captação de múltiplos órgãos foi realizado no Pará fora do Hospital Ophir Loyola (HOL). Na última quinta-feira, 18 de agosto, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência fez a captação dos rins e das córneas do doador que foi diagnosticado com morte encefálica. O procedimento nunca havia sido realizado no hospital, tido como referência em traumatologia.
Para o coordenador da Central de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), André Luis Rodrigues, o feito é resultado de um programa de descentralização dos transplantes no Estado. “Estamos resgatando uma distorção histórica de transplante no Pará”.
De forma prática, a possibilidade de captação de órgãos pelo Metropolitano possibilitará que o processo de doação seja mais simples e rápido. De acordo com André, antes a maioria dos doadores estavam internados nos pronto-socorros municipais e, como o hospital não possui estrutura para realizar todos os procedimentos legais de doação e captação de órgãos, o doador tinha que ser transferido para realizar os exames no HOL. “Hoje, o Metropolitano tem condições de fazer todo o processo do doador”.
Segundo ele, cerca de 90% dos possíveis doadores de órgãos estão no Metropolitano, já que ele é referência em traumatologia. “Melhor do que deslocar uma ambulância e ocupar um leito no Ophir Loyola é deslocar a equipe para o Metropolitano”, afirma. “Isso traz mais conforto para a família do doador”.
Ainda de acordo com André Luis, com a possibilidade de realização de todo o procedimento no hospital onde está o doador, o tempo de espera para a liberação do corpo reduz significativamente. “O tempo para se devolver o corpo do doador à família diminui de dois dias para 12 horas”.
A diretora técnica do hospital, Socorro Sarquis, explica que todos os protocolos preconizados nacionalmente foram seguidos para a realização da captação. “Foram realizadas todas as partes legais, os exames foram processados para saber se a pessoa poderia se transformar em doadora”, disse. “A equipe do HOL veio ao hospital e o centro cirúrgico do Metropolitano foi acionado e utilizado para a captação”.
Responsável pela captação dos órgãos, o médico cirurgião de transplante Maurício Iasi afirma que a ação não foi isolada. “Faz parte de um projeto de desenvolvimento de transplante na região amazônica chamado de ‘Amazônia Transplante”. É uma forma de organização e procura de órgãos que vai cobrir toda a região do sul do Pará”.
Além da realização na Região Metropolitana de Belém, André Luis afirma que o procedimento também já foi realizado em Redenção, pela primeira vez. “Houve a captação de dois fígados e quatro rins em Redenção”, garante. “Foi o primeiro município do interior a fazer isso”.
Segundo ele, além da capital, os municípios de Breves, Santarém, Redenção, Altamira, Tucuruí e Marabá estão preparados para fazer o mesmo procedimento. “Eles têm a estrutura para organizar a remoção e existe logística para transportar os órgãos”.
TRANSPLANTE
Apesar dos avanços na identificação e captação de órgãos, a situação do transplante no Estado não mudou muito. Atualmente, apenas dois tipos de órgãos podem ser capturados e transplantados no Pará: rim e córnea. Enquanto isso, órgãos como fígado, coração, e pâncreas são removidos no Estado e disponibilizados para pacientes de outras regiões. “Desde 2005, em torno de 60 fígados já foram captados e enviados para outros Estados”, lembra André.
De acordo com o projeto do governo do Estado, centros de transplantes devem ser implantados para modificar essa realidade. O HOL ficaria responsável pelo transplante de fígado, o Hospital de Clínicas pelo de coração e o Metropolitano com o de pele. O que falta para que isso se concretize é básico, mas fundamental. “Faltam algumas pendências de infraestrutura”, informa André. (Diário do Pará)
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