Até o ano de 2003, alzheimer era apenas uma palavra estranha para a dona de casa Vanda Carvalho. Sem nenhum histórico da doença na família, ela desconhecia os problemas diagnosticados em sua mãe, Alda Carvalho, hoje com 88 anos. A desconfiança de que alguma coisa estava errada veio quando a mãe começou a esquecer de trancar a porta da casa onde morava sozinha.
A doença foi diagnosticada tardiamente, somente após muitas manifestações de esquecimento e mudanças de comportamento por parte de Alda. A família resistiu em levá-la ao médico. Para os filhos, os esquecimentos cada vez mais constantes eram apenas coisas da idade. “Não sabia o que era isso. Se tivéssemos descoberto logo, poderíamos ter retardado o avanço da doença”.
Em oito anos, Alda se isolou, desconheceu os filhos, esqueceu o dia do casamento, desaprendeu a comer. Os papéis se inverteram. “Digo que agora eu sou a mãe dela. Quando ela está mais calma, ela me chama de mãe”, sorri Vanda.
ADAPTAÇÃO
A filha também teve que se adaptar. Deixou o comércio do qual era dona em Icoaraci, se mudou, deixou de trabalhar fora. Passa os dias fazendo companhia e cuidando da mãe que já não fala, não come sozinha e tem dificuldades para andar. “É muito difícil. Ela não pode ficar só em nenhum minuto”.
A mudança na vida do responsável por acompanhar o portador da doença de alzheimer é descrita de uma forma peculiar pela presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Lílian Alicke. “O alzheimer é uma doença da família e não de uma pessoa só”.
Graduada em gerontologia, campo de estudos que investiga o envelhecimento, ela prefere destacar sua vivência enquanto cuidadora. Experiente no contato com pessoas portadoras de alzheimer, ela reconhece as dificuldades que as famílias enfrentam junto com o paciente. “No início essa participação é menor. Quando a pessoa está bem, só precisa de uma supervisão, mas à medida que a doença evolui, vai se criando uma dependência”. (Diário do Pará)
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