Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam em Bragança, nos dias 25 e 26 de agosto audiências públicas para apurar denúncias da existência de exploração sexual de mulheres no município. As audiências acontecem a partir das 10 horas na Câmara Municipal.
A programação dos deputados no município inclui coletiva a imprensa, realização de oitivas, visitas protocolares as autoridades locais e a realização de uma mesa redonda sobre os Desafios da Sociedade diante do Tráfico Humano e as Perspectivas do trabalho da CPI.
“A visita a Bragança tem por objetivo averiguar as denuncias de que na cidade existe atuação de redes de recrutamento e de aliciamento de mulheres para o tráfico internacional, associado com o tráfico de drogas, com ramificação em outros municípios da região”, informou o deputado Carlos Bordalo, relator da CPI. Para ele a cidade seria um centro de articulação dessas redes criminosas no envio de mulheres para exploração sexual na Guiana Francesa e no Suriname.
Estão previstos a participar da programação em Bragança, os deputados da CPI: João Salame (PPS), presidente; Carlos Bordalo (PT), relator; Celso Sabino (PR), vice; Edmilson Rodrigues (PSOL); Pastor Divino (PRB); Luzineide Farias (PR); Edílson Moura (PT) e Cássio Andrade (PSB).
Depoimentos
Até agora os deputados da CPI ouviram 29 pessoas, sendo 20 sigilosamente e 9 em audiências públicas, são elas o professor Armando Zurita Leão, Coordenador do Instituto de Divulgação da Amazônia, estudioso sobre o tráfico internacional de profissionais do sexo; as mães de duas jovens que foram traficadas para Espanha e Portugal, respectivamente, Rosalina Pereira Gama e Maria de Nazaré Costa Tabosa; Carlos Alberto Mancha, diretor das categorias de base do Paysandu e Roberto Macedo Júnior, agente credenciado pela FIFA no Pará. Os empresários paulistas, Marcos Vinicius Cardoso e Daiane Flávia Silva e o proprietário do Clube Vila Rica Marajó, Sérgio Araújo Nascimento. E ainda a travesti Biane, Edson dos Santos Carneiro, depoimento iniciado, entretanto, transferido para uma nova data, a pedido da depoente.
Realidade do tráfico humano
No comércio ilegal, o tráfico humano movimenta atualmente mais de US$ 12 bilhões por ano, segundo dados da ONU. A atividade compete apenas com o tráfico de armas. É comprovadamente a segunda prática criminosa mais lucrativa do mundo. Em 2008 cerca de 500 mil pessoas foram vítimas do tráfico humano na Europa. E desse total, 75 mil eram de brasileiros. Na maioria dos casos são jovens e mulheres, afrodescendentes com baixa escolaridade e desempregados, que são atraídos por promessas de bons empregos e uma vida melhor. Sem passaportes, lá são escravizados para atividades sexuais ou econômicas. A região amazônica também se insere neste mercado mundial, e é uma das que mais fornece vítimas para essas redes criminosas.
Estima-se que 500 mil crianças são vítimas de tráfico para fins de exploração sexual no mundo inteiro. No Brasil, ao menos 25 mil pessoas estão sendo mantidas em condições análogas ao trabalho escravo. É um dever de toda a sociedade enfrentar esta questão.
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