Em um cenário que imita uma confortável sala de jantar, um casal apaixonado compartilha com o público, em diálogos românticos, a sua própria história de amor. Este poderia ser o roteiro de mais uma peça teatral, se os dez atores envolvidos no trabalho não fossem pessoas com algum tipo de deficiência intelectual ou múltipla. Este espetáculo, realizado pelo grupo de teatro Encenapae, foi apresentado ontem durante o lançamento da programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, no 3º piso do Shopping Pátio Belém.
Sob o tema “A pessoa com deficiência quebra a cultura da indiferença. Tenha coragem de ser diferente”, a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) pretende levar para lugares públicos os resultados das atividades realizadas pelos 412 atendidos pelos programas disponibilizados pela Associação. A semana iniciou nacionalmente no último domingo.
Entre gritos eufóricos e muitos aplausos, a jovem Lana Patrícia Paixão, 28 anos, portadora da Síndrome de Down, entrou em cena vestindo um roupão e um maiô cor-de-rosa, para uma performance ao som de “Banho de Lua”, clássico da Jovem Guarda. A expressão corporal da moça chamou a atenção de quem passava pelo local. Camilo Oliveira estava em uma loja quando ouviu a música, então resolveu se aproximar e olhar o que estava acontecendo. “Nós ouvimos falar de inclusão o tempo todo, e que eles podem fazer coisas ditas normais. Ainda assim me impressiono quando vejo alguém que possui essa deficiência realizar coisas como esta”, disse o jovem.
São discursos como este que pretendem ser desconstruídos pela Associação durante esta semana. Para o presidente da Apae-Belém, Emanuel Ó de Almeida Filho, a ideia é levar o evento para além das cercanias da instituição, sensibilizando a sociedade para uma inclusão real das pessoas com deficiência. “Estas pessoas já enfrentam dificuldades advindas das limitações que possuem. Precisamos romper com a indiferença e evitar em todas as hipóteses a exclusão”, alerta o presidente, em meio a pedidos de abraços e apertos de mãos de algumas crianças que o cercavam.
SUPERAÇÃO
Quando começou a realizar atividades na Apae, há 17 anos, Antonia Maria Souza, 24 anos, também portadora da Síndrome de Down, era tímida, calada e sedentária. “Quando o médico indicou a Apae, percebi que tínhamos uma oportunidade de mudar a realidade dela. Através da inclusão vi minha única filha começar a ter a oportunidade de ser mais feliz e poder fazer coisas que qualquer pessoa faz”, conta a mãe, Maria do Espírito Santo, emocionada.
“Gosto muito de dançar e cantar, não quero parar”, disse ela, que também subiu ao palco ontem. Com este trabalho, o grupo já viajou para o Rio Grande do Sul, onde se apresentou durante o encontro de Apaes.
No shopping também está montada uma exposição de artes visuais com trabalhos de pintura sobre papel feitos por alunos do núcleo de artes visuais da Apae. A programação segue até o próximo dia 27 com uma Feijoada Solidária na sede da Apae, onde será promovido um bingo dançante.
PARTICIPE
Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Até o dia 27, em vários espaços da cidade. Informações: 3241-1644. (Diário do Pará)
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