O polêmico caso da mulher grávida de gêmeos que teve o atendimento negado na Santa Casa na última terça-feira (23), é apenas um, dos que chamam atenção pelo desfecho trágico. Mas a morte dos bebês traz a tona problemas ainda maiores da saúde pública no Estado: superlotação, descaso de profissionais, a necessidade de construção de novos hospitais e a má administração pública.
Por conta da morte, a presidente do hospital Maria do Carmo Mendes Lobato e a gerente de Tocoginecologia, Florentina Balby, foram afastadas pelo governador Simão Jatene até a total apuração das circunstâncias da morte. A médica de plantão era Cynthia Lins que acabou sendo conduzida à delegacia para esclarecer o caso, sendo liberada em seguida.
Ontem (25), durante coletiva, o governador afirmou que a situação é inaceitável. "Quando existe risco, todas as éticas, todos os códigos devem estar subordinados ao código da vida. Qualquer coisa diferente disso, pra mim, é inaceitável. Então eu só posso, primeiro, lamentar. Segundo, esperar que não se repita.", comentou Jatene.
Simão evitou polemizar sobre a deficiência municipal no atendimento básico. "Tem um problema crítico? Resolve, e depois discute se era de responsabilidade da união, do estado ou do municipio, porque quando alguém chega no hospital, não dá pra ficar esperando". Mesmo evitando atribuir a culpa da má situação da Santa Casa à gestão anterior, o Governador não evitou algumas comparações. "Como vocês acham que eu me sinto ao lembrar que, na minha gestão passada, a Santa Casa chegou a receber prêmio como Hospital Amigo da Criança?".
Nesta sexta-feira (26), o Conselho Regional de Medicina divulgou que instaurou uma sindicância para apurar a situação que envolve a morte dos bebês. A investigação foi aberta no mesmo dia em que o caso foi veiculado na imprensa. Todas as partes envolvidas serão ouvidas e o processo correrá em sigilo.
A crise na maternidade parece não ter fim. Em julho de 2008 na UTI Neonatal da Santa Casa morreram 12 bebês em apenas um fim de semana. O número elevado gerou grande repercussão nacional.
Na época, o então presidente da fundação Antônio Anslemo Bentes de Oliveira deixou o cargo e a função foi assumida pela coordenadora da Câmara Técnica de Políticas Sociais do Governo do Estado.
No mesmo período, foi divulgado um relatório da direção do hospital que indicava que no período de fevereiro a julho de 2008, o índice de mortalidade infantil ficou acima do aceitável pela Organização Mundial da Saúde. Foram registradas 262 mortes e as causas apontadas foram a superlotação, a falta de leitos e de médicos. (DOL)
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