Durante seu depoimento na quinta-feira (25) na CPI do Tráfico Humano, Lozanira Nascimento Torres foi conduzida à Delegacia Civil de Bragança, para prestar esclarecimentos da acusação de perjúrio mediante aos membros da comissão ao ser interrogada. Após depoimento, ela foi liberada.
A depoente é proprietária do Bar "Cabral", localizado no bairro do Taíra, ambiente apontado nas investigações como ponto de encontro de garotas de programa adolescentes para a prática da prostituição. Lozanira também é acusada de intermediar garotas para clientes.
No depoimento à CPI, ela não colaborou com a comissão negando e omitindo informações atribuídas a ela, as quais estão contidas nos documentos do Ministério Público e da Polícia Civil, anexados ao inquérito policial que serve de base para a CPI. Após ter sido avisada sobre o comprometimento em faltar com a verdade, o que caracteriza crime por falso testemunho, Losenira, orientada pelo advogado da CPI, Marcelo Costa, pediu para que fosse adiado o seu depoimento e que o mesmo tivesse caráter particular. A solicitação foi acatada pela comissão e Lozanira foi a segunda a depor na manhã de hoje, 26, num compartimento reservado, onde além dela só estavam os membros da CPI. Entretanto, como repetiu a mesma posição omissa do primeiro dia de oitivas, foi conduzida para a Delegacia de Polícia Civil de Bragança, onde prestou esclarecimentos à delegada Vanessa Lee e foi liberada em seguida.
Antes de Lozenira, quem já havia deposto foi Lourival da Silva Pereira, conhecido como Índio, proprietário do Motel Caribe, onde, segundo o inquérito policial, grande parte dos programas de adolescentes era realizada, contando com a contribuição do empresário. Além do Motel Caribe, Índio também é dono de um espaço de lazer na BR-308, conhecido como “balneário do Índio”, vizinho do motel, onde muitas adolescentes freqüentavam com o objetivo de encontrar com clientes.
Não bastasse a posse de dois locais incriminados no inquérito policial, Índio também é acusado por várias adolescentes, no entanto foi muito reticente em seu depoimento, o que levou ao relator da CPI, deputado Carlos Bordallo, ser incisivo. “O senhor está protegendo quem? Os grandões estão soltos e vocês passando por situações terríveis como essa... Nós não estamos aqui para brincadeira”, disparou. O deputado Celso Sabino, que havia assumido a presidência da CPI, após a partida do deputado João Salame, orientou que fossem dados 15 minutos de intervalo, enquanto seria feito a audiência de Lozanira, em caráter particular.
Após ver Lozanira sair escoltada por guardas a caminho da Delegacia Civil, Índio, que está em liberdade condicional, assistindo ao que ocorreu com a dona do Bar Cabral, optou por depor em particular na mesma sala reservada onde depôs Lozanira e em seguida foi liberado. “Foi muito proveitoso o depoimento de Índio. A partir das informações repassadas por ele, teremos muito mais chances de chegar onde queremos”, avaliou o deputado Celso Sabino.
Em seguida, os membros da comissão foram à casa de uma das adolescentes para ouvi-la, uma vez que, devido ao fato de ser menor de 18 anos, não pôde comparecer à sessão. “Outro depoimento que vai nos ajudar muito”, revelou Sabino.
O assessor da CPI, Osvaldo Chaves, informou que durante a semana, antes das sessões a equipe tentou localizar adolescente cujos nomes constam no inquérito policial, mas nenhuma delas estava em Bragança. “A impressão que se tem é de haver gente por trás disso, tentando encobrir, principalmente por constar nomes de empresários fortes e políticos no inquérito policial”, avaliou Osvaldo Chaves. “Quem pensa que porque a CPI não levou ninguém preso nesta estada em Bragança, ficará por isso mesmo. Ledo engano. Mais dias, menos dias, os peixes grandes cairão na rede”, completou.
A sessão foi retomada com a realização da terceira e última oitiva da estada da CPI em Bragança que contou com o depoimento do taxista Artur Walter Gomes de Brito, acusado de fazer parte da rede de prostituição transportando adolescentes de festas e bares para o Motel Caribe. Artur admitiu já ter transportado garotas de programa ao motel, mas negou seu envolvimento com a rede de prostituição. “Quando conduzo um casal ao motel não pergunto se a transa vai ser paga ou não”, argumentou Artur, que também negou o envolvimento com menores que afirmaram à polícia ter se relacionado sexualmente com ele.
Após as sessões realizadas em Bragança, a CPI encaminhará o levantamento feto nas oitivas ao Ministério Público, para que baseado nessas informações as investigações sejam prosseguidas. (DOL, com informações do repórter José Clemente Schwartz)
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