Após passar cerca de três dias internada, Vanessa do Socorro Santos recebeu alta médica da Fundação Santa Casa no final da tarde de ontem (26). Ela foi internada após não ter conseguido atendimento quando estava em trabalho de parto e só pôde entrar no hospital após parir o primeiro filho, já sem vida.
Apesar do sentimento de tranquilidade por constatar o bom estado de saúde em que Vanessa deixou o hospital, o emocional da família ainda está abalado. “Ela está bem, mas a gente não teve o prazer de trazer nossos filhos para casa. Faltou isso”, lamentou o pai das crianças, Raimundo Cícero, ao olhar para as roupinhas compradas para as crianças e que ainda estavam em casa. “Agora temos que tentar superar isso, mas queremos justiça”.
Na saída do hospital, Vanessa disse que esperava receber a visita dos bombeiros para agradecê-los por terem lutado pela vida dela e dos filhos. Para a família, eles agiram como heróis. “Eles agiram corretamente. Nós só temos a agradecer aos bombeiros”, disse.
DEPOIMENTO
Durante toda a tarde de ontem, os bombeiros que deram voz de prisão à médica obstetra Cinthia Lins, no episódio em que as duas crianças recém-nascidas morreram após Vanessa ser impedida de entrar na Fundação Santa Casa de Misericórdia, foram ouvidos pela Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), responsável pela investigação do caso.
Sem se pronunciar sobre o ocorrido à imprensa, o cabo Antônio Flávio Prisca da Silva e os soldados Jefferson Nonato Faria de Assunção e Francisco César Barros de Souza entraram individualmente na sala do delegado para depor sobre o que teria acontecido no último dia 23.
Segundo o delegado Rogério Moraes, responsável pelo inquérito, os militares prestaram depoimentos esclarecedores. “Eles narraram tudo o que aconteceu desde a chegada deles”, afirma, ao informar que, até o momento, os bombeiros foram os únicos ouvidos no inquérito. “Em primeiro lugar, vamos respeitar o luto da Vanessa, mas pretendemos ouvi-la na semana que vem”. Além da mãe, o inquérito deve ouvir também o pai das crianças, Raimundo Cícero, que já havia prestado depoimento na delegacia do Comércio, e os médicos da Santa Casa.
LAUDO
O delegado também recebeu, na manhã de ontem, o laudo da perícia realizada nos corpos das crianças pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. “Ele denotou o óbito fetal intrauterino de no mínimo 48 horas.”
De acordo com ele, durante a avaliação dos peritos, que verificou a situação em que se encontrava a pele dos bebês, não foi necessário fazer um exame que verifica se há ar nos pulmões dos corpos, o que poderia caracterizar que eles teriam nascidos com vida. Em posse do laudo e dos primeiros depoimentos, Moraes afirmou que o inquérito segue a linha de investigação de omissão de socorro. “O resultado deve sair em até 30 dias podendo ser estendido por mais 30”.
CONTRA BOMBEIROS
O Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa) analisa a possibilidade de entrar com uma ação contra os bombeiros por terem dado voz de prisão à médica obstetra Cinthia Lins.
De acordo com o diretor do Sindmepa, João Gouveia, a ação não será direcionada à corporação e sim ao militar que tomou a atitude de prender a médica.
(Diário do Pará)
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