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Especialistas atribuem resultado a desestímulo

“Estou como ambulante porque desde muito cedo tive que optar pelo trabalho e deixei meus estudos de lado. Sei que não foi o certo, mas era a única opção”, conta o ambulante Isaías Santos, de 43 anos. Ele é o mais velho de uma família humilde de seis irmão

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“Estou como ambulante porque desde muito cedo tive que optar pelo trabalho e deixei meus estudos de lado. Sei que não foi o certo, mas era a única opção”, conta o ambulante Isaías Santos, de 43 anos. Ele é o mais velho de uma família humilde de seis irmãos do bairro do Jurunas. Parou os estudos na sexta série e é um dos muitos brasileiros que foram alfabetizados, mas têm dificuldade em entender o que leem - os chamados analfabetos funcionais.

Foi esse o cenário registrado pela Prova ABC, que avaliou o desempenho dos alunos do ensino fundamental até o quarto ano em todo o Brasil. A região Norte teve um dos piores índices: uma média de 56,4% dos alunos de escolas municipais, estaduais e privadas da região não conseguem ler corretamente ou não compreendem o que foi lido. Quando o assunto é matemática, 71,7% demonstram não ter aprendido o suficiente para a fase escolar.

Para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a avaliação da Prova ABC não apresenta informações sobre o que foi totalmente aprendido pelo aluno, pois nivela todos deixando as especificidades de fora. “O problema é complexo, e não podemos buscar um único fator para os resultados. Mas devemos ficar atentos para saber de fato o que nossos alunos já dominam ou não.”, explica a diretora de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Seduc, Ana Cláudia Hage. Ela diz que para tentar reverter a situação que já vem afetando ao ensino público do Pará a Seduc desenvolve, desde o semestre passado, palestras voltadas aos professores, para que reflitam sobre suas práticas pedagógicas de forma a contribuir na melhoria da qualidade do ensino.

Já as escolas particulares tiveram um índice um pouco melhor em relação à leitura (216,7 nas particulares contra 175,8 da rede pública). Mas a presidente do Sindicado das Escolas Particulares, Suelly Menezes, diz que apesar disso os números baixos só confirmam que o país inteiro está mal. “Os índices ruins já vêm de algum tempo. E, por isso, sempre tentamos discutir mudanças na política educacional”.

Para ela, professores qualificados e uma escola mais bem estruturada são fundamentais para que os índices mudem.

(Diário do Pará)

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