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Acidentes nos rios já fizeram 250 vítimas

Aos dez anos de idade, Arlene Castor foi vítima de escalpelamento, um acidente que já vitimou cerca de 250 meninas e jovens nos rios da Amazônia nos últimos vinte anos. O acidente acontece quando os cabelos se prendem no eixo das embarcações e arrancam pa

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Aos dez anos de idade, Arlene Castor foi vítima de escalpelamento, um acidente que já vitimou cerca de 250 meninas e jovens nos rios da Amazônia nos últimos vinte anos. O acidente acontece quando os cabelos se prendem no eixo das embarcações e arrancam parte do couro cabeludo da vítima.

Mesmo após 29 anos, Arlene ainda tem as lembranças do acidente gravadas na memória. “Eu estava dormindo no barco e quando levantei uma tábua empenou e eu caí. Meu cabelo era grande e enroscou no motor”, conta. Arlene teve perda de 40% do couro cabeludo e passou cerca de três meses internada.

Apesar do número de acidentes ter diminuído, muitas embarcações ainda navegam sem a proteção necessária do eixo do motor, item obrigatório por lei.

ACIDENTES

No ano passado foram 10 acidentes e, este ano, seis já foram registrados. Segundo o tenente Marco Antônio Costa, a Marinha doa e instala as coberturas para proteção do motor, uma tentativa de diminuir os acidentes. “Nas ações de inspeção fazemos a abordagem e a instalação da proteção de maneira gratuita”. De 2009 até este ano já foram instaladas cerca de duas mil coberturas.

Como amanhã é celebrado o Dia Nacional de Combate e Enfrentamento ao Escalpelamento, uma ação educativa de conscientização foi realizada ontem na praça Dom Pedro I e nos portos da cidade. “Esse não é um problema só de quem está nos rios. Ele atinge quem está na capital e sente a dor dessas famílias. Temos a obrigação de nos tornarmos agentes multiplicadores”, disse Socorro Silva, coordenadora de Educação em Saúde e Mobilidade Social da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Segundo a coordenadora, os danos para quem passa pelo acidente são irreversíveis. “É um trauma muito grande, não só para a vítima como para a família. Dependendo do caso, o cabelo não volta a crescer mais”, explicou. “Eu nunca me conformei, chorava bastante depois do acidente, não podia nem ver uma pessoa se penteando. Mas agora estou usando um expansor (espécie de bolsa de silicone) e meu cabelo está nascendo de novo. Daqui a mais alguns meses vou ter o meu cabelo mesmo”.

SERVIÇO

Quem quiser mais informações sobre o serviço da Marinha, que disponibiliza a proteção para o eixo do motor, pode ligar para o disque-segurança da navegação, pelo número 0800-2807200. (Diário do Pará)

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