Não foi um início de ano fácil no Rio de Janeiro. Mas de certa forma, foi uma típica tragédia anunciada. A cada janeiro as chuvas desabam e os morros vêm abaixo. Soterram pessoas, destroem sonhos e comovem o resto do país.
Em 2011 foram pelo menos 626 pessoas mortas na região serrana do Rio. Foi um dos piores desastres naturais ocorridos no país, com número de mortes crescendo dia a dia. A tragédia expôs enormes falhas no planejamento de emergência e prevenção de desastres no país.
E enquanto o Rio de Janeiro ainda contava as próprias vítimas, do outro lado do mundo, no Japão, dois meses depois um forte terremoto provocava tsunami e matava centenas pessoas. O terremoto atingiu 8,9 graus de magnitude - o maior da história do país. Dezenas de cidades e vilarejos foram destruídos, enquanto o número de mortos aumentava em proporções gigantescas chegando a ultrapassar mil mortos.
Essas duas tragédias ofuscariam o fato mais importante do primeiro dia do ano para o Brasil? Difícil dizer, mas o certo é que no dia 1º de janeiro, Dilma Rousseff assumiu como a primeira presidente da história brasileira. A candidata petista derrotou o tucano José Serra em um segundo turno em que a abstenção superou os 20 milhões de eleitores. Não demoraria e Dilma teria de enfrentar denúncias de corrupção em várias pastas do governo - até aí nada de novo. Dilma foi demitindo os corruptos e ficando cada vez mais isolada no Planalto. Mesmo assim foi escolhida pela revista Forbes como uma das três mulheres mais poderosas do mundo.
Terremotos no Japão, deslizamentos no Rio. E Belém? No dia 28 de janeiro, a cidade reviveu velhos fantasmas. Naquela tarde de sábado, um edifício de 32 andares em construção desabou por volta das 14h. Era o Real Class, que estava sendo construído pela empresa Real, com dois apartamentos por andar destinados à classe média alta. O valor de cada unidade era de R$ 550 mil. Três pessoas morreram e Belém lembrou do desabamento do edifício Raimundo Farias, em 1987.
Mortes anunciadas: de vinganças de Estado a crimes do descaso
Há mortes choradas. Outras comemoradas. No dia 2 de maio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmava em pronunciamento na TV a morte de Osama bin Laden, líder da rede terrorista da al-Qaeda, responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, que mataram cerca de três mil pessoas.
Com a popularidade em queda livre, Obama tentou resgatar o prestígio pessoal com a morte do quase xará.
A população americana foi às ruas comemorar. E o mundo ficou cheio de dúvidas a respeito dos detalhes soturnos da operação militar no Paquistão.
Se o mundo comemorou a morte de Osama, a floresta chorou o assassinato de mais ambientalistas. O casal José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo foi tocaiado em mais uma história de sangue nas terras paraenses. Vinham sendo ameaçados de morte há pelo menos seis anos. Morte anunciada, morte previsível. Morte confirmada.
O casal de agricultores foi assassinado no dia 23 de maio, no assentamento onde os dois moravam, em Nova Ipixuna, sudeste paraense. Ribeiro e Maria lideravam na região um projeto de extrativismo sustentável de castanha e de cupuaçu e denunciavam a retirada ilegal de madeira.
Também chocante foi o assassinato e esquartejamento do auxiliar administrativo Joelson dos Santos, dentro de um motel, em Belém. Planejado por uma mulher com quem ele se relacionava virtualmente, Savanah Nathália, Joelson teve a cabeça e os membros cortados depois de ter sido atraído por Savanah, que contou com a ajuda do companheiro Raimundo Nonato.
Agosto das crises institucionais, o Pará em racha e milagres da fé
Tem sido um ano de crises no reino político paraense. Na Ordem dos Advogados do Brasil, entidade mais improvável de se registrar irregularidades, o mês de agosto foi todo sacudido por uma crise provocada pela atual diretoria da Ordem, sob o comando do presidente Jarbas Vasconcelos. O estopim foi o caso da venda do terreno da subseção da entidade em Altamira, cuja procuração para negociação do imóvel teve falsificada a assinatura do vice-presidente, Evaldo Pinto. Entre idas e vindas, a entidade se arrasta nessa indefinição.
PARÁ DIVIDIDO?
Outra crise abalou as paredes da Assembleia Legislativa. Uma série de fraudes, com funcionários fantasmas, desvios de verbas e contratos fraudulentos pululou na Alepa. Crises...
Também fica por conta da nebulosidade a questão da hidrelétrica de Belo Monte.
Durante todo o ano passado e início desse ano, idas e vindas de pendengas jurídicas, motivadas, unicamente, pela falta de transparência do governo federal em relação ao projeto. Manifestações contra e favor dividem espaço na opinião pública. Ao mesmo tempo, as eclusas de Tucuruí são finalmente abertas. Serão a solução? O tempo dirá.
Assim como também dirá o povo paraense se quer ou não ver o Estado dividido. A consulta popular via plebiscito, foi aprovada pelo plenário do Senado no dia 31 de maio. O plebiscito deve ouvir a população sobre a criação do Estado de Tapajós, no oeste paraense.
Dividir não foi o verbo adotado pelos fiéis da igreja Assembleia de Deus, que comemorou, em junho, cem anos de implantação no Brasil. Uma série de eventos marcou as celebrações da igreja pentecostal mais importante do país. O ponto culminante foi a construção do Centenário da Assembleia de Deus, o Centro de Convenções da igreja, o maior da capital paraense.
Histórias cotidianas da vida como ela é
Cobertura policial do DIÁRIO colecionou dezenas de fatos marcantes no último ano. Confira algumas da mais impactantes histórias que ganharam as páginas do jornal:
Savana Nathalia, presa, ligada ao bárbaro esquartejamento de Joelson Souza na pousada Colonial: crime chocou os paraenses, mas outras histórias também marcaram noticiário policial
JOVEM TEM O CORAÇÃO ARRANCADO
Em fevereiro, um crime bárbaro deixou os moradores da rua Piquiá, no bairro do Curuçambá, assustados. Um homem foi encontrado morto por volta das 9h de domingo. Seria um crime qualquer, não fossem os detalhes. Identificado por um dos irmãos, Joarlei dos Reis Cardoso, de apenas 17 anos, teve o corpo retalhado e suas vísceras foram literalmente arrancadas.
Órgãos estavam espalhados próximo ao corpo. O coração e o que parecia ser parte do fígado estavam mais afastados, enquanto que o intestino, rins e demais órgãos estavam ao lado da cabeça da vítima. Na cabeça de Joarlei havia marcas de tiros e um golpe feito possivelmente com um terçado. O peito do rapaz foi aberto até a altura do abdômen e a cabeça foi praticamente decapitada. Uma cena de filme de terror. A suspeita é de que o crime tenha sido um acerto de contas, já que a vítima seria usuária de drogas.
DOMÉSTICA ROUBOU BEBÊ PARA REATAR RELACIONAMENTO
Há um ano, em agosto, a empregada doméstica Jéssica Naiara de Oliveira Santos, de 20 anos, foi presa em Santo Antônio do Tauá após tentar sequestrar um recém-nascido. Jéssica teria brigado com o companheiro e, na possibilidade de perdê-lo, inventou que estava grávida, ao mesmo tempo em que decidiu roubar uma criança, para tentar “segurar” a relação.
Ela pegou o recém-nascido em um hospital particular do município. Se passou por pediatra e conversou com a avó e a mãe da criança, dizendo que iria levá-la para fazer os testes do pezinho, olhinho e ouvidinho. Jéssica teria chegado a tocar no bebê, mas foi impedida, pela avó, de levá-lo. A polícia foi chamada. Já do lado de fora da maternidade, Naiara foi alcançada pelos policiais.
CRIANÇA ROUBADA FOI ACHADA APÓS MATÉRIA DO DIÁRIO
A desculpa dada por Alzimar de Jesus Ramos, de 36 anos, para justificar o ato criminoso de sequestrar uma criança, em em janeiro passado, foi a bebida alcoólica. Em depoimento na Data, o braçal que trabalha na feira da Ceasa contou que estava bêbado na hora pegou um menino, P. B., em uma parada de ônibus na BR 316. À polícia, contou que encontrou a criança abandonada próximo da parada de ônibus e ficou com pena.
Na versão do avô da criança, o vendedor ambulante Manoel Silva dos Santos, a criança estava com ele na banca de bombons que tem em uma parada de ônibus em frente ao túnel do entroncamento. “Ele chegou, disse que o menino era bonito mas mal alimentado, e que iria levar. Puxou o menino das minhas mãos”.
O sequestrador foi identificado depois pela polícia por uma camiseta amarela que usava - com o nome da empresa que funciona na Ceasa. Matéria do DIÁRIO com a foto sobre o sequestro da criança também foi decisiva para que terminasse o mistério, que já durava doze dias. A criança acabou sendo deixada pelo sequestrador em um abrigo e lá estava desde o dia 3 de janeiro.
ASSASSINADA À ESPERA DA BATATA FRITA
Em março passado, dois homens sem capacete, em uma moto preta, se aproximaram de um bar que acabava de reabrir para o atendimento diário na quinta rua do conjunto Tenoné, em Icoaraci. Um deles desceu, se aproximou de Luci da Rosa Ferreira da Silva, de 28 anos, e disse: “É tu mesma”. Cinco disparos acertaram o peito e os braços da jovem.
Luci havia acabado de entrar no Natu´s Bar e havia pedido uma batata frita. Estava sentada em uma cadeira, na porta do estabelecimento.
A jovem morava sozinha em um kit net, na mesma rua do bar. Ela trabalhava por conta própria com venda de roupas e estava há seis meses no Tenoné.
(Diário do Pará)
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