Cabisbaixos e acompanhados de um advogado, Vanessa do Socorro Santos e Raimundo Cícero Gomes, pais dos bebês gêmeos que morreram na semana passada em frente à maternidade Santa Casa de Misericórdia, compareceram na manhã de ontem à Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) para prestar depoimento sobre o caso.
Vanessa iniciou seu depoimento por volta das 9h30. Dentre tantos relatos emocionados, ela afirmou ter ouvido o choro da primeira criança que nasceu ainda dentro da ambulância em frente à Santa Casa. O relato contraria o laudo liberado há uma semana pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPC), que comprova a morte dos dois bebês 48 horas antes do nascimento.
A família diz que pretende processar apenas o Estado, acusando-o de omissão de socorro, conforme explicou o advogado do casal, Diorge Mendes. Ele ainda afirma que vai pedir que os funcionários que impediram a entrada de Vanessa no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna também sejam chamados para prestarem depoimento. “Eles também foram omissos”, acusou.
Logo após o depoimento de Vanessa, foi a vez de Raimundo Cícero prestar esclarecimentos. Ratificando a informação repassada pela esposa, de que teria ouvido o choro de um dos bebês, ele reafirmou que “lutará até o fim por justiça”.
O delegado Rogério Moraes, responsável pelo caso, disse que os depoimentos foram de fundamental importância para dar continuidade às investigações. “Eles são a parte diretamente ligada ao caso. E trouxeram várias informações que reforçam o que já vem sendo apurado”. Segundo Moraes, os dois depoentes seguiram a mesma linha de raciocínio e não se contradisseram.
A partir de agora, o delegado pretende dar continuidade ao inquérito com os depoimentos técnicos, onde serão ouvidos outros médicos que estavam trabalhando no local no dia do ocorrido e os vigilantes que proibiram a entrada da grávida no Hospital de Clínicas, ainda sem data marcada. A polícia já ouviu os bombeiros que socorreram Vanessa.
INVESTIGAÇÕES
O delegado informou que já está com o laudo sobre a morte do bebê em mãos e que será anexado ao inquérito, que tem 30 dias para ser finalizado, mas pode ter o prazo estendido. (Diário do Pará)
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