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Morte teria relação com conflito agrário

Apesar de a Divisão de Homicídios da Polícia Civil descartar a hipótese, a promotora de Justiça de Barcarena, Ana Maria de Carvalho, afirma que os barraqueiros da praia do Caripi acreditam que a morte de Benedito Simão, de 56 anos, anteontem à noite, foi

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Apesar de a Divisão de Homicídios da Polícia Civil descartar a hipótese, a promotora de Justiça de Barcarena, Ana Maria de Carvalho, afirma que os barraqueiros da praia do Caripi acreditam que a morte de Benedito Simão, de 56 anos, anteontem à noite, foi motivada por conflitos agrários.

De acordo com a promotora, a área da Fazendinha, que faz parte dos quatro mil hectares da Vila dos Cabanos que passou à propriedade e gestão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), após a empresa que geria o local ter sido liquidada, seria o centro do conflito, já que parte da área foi ocupada por comunidades tradicionais. “Ocorre que, segundo informações oficiais, as 28 famílias originais multiplicaram-se repentinamente e alcançaram o número de 147”, informa a promotora. Segundo os moradores locais, por causa desse aumento da ocupação, a área de proteção permanente conhecida como ‘Cinturão Verde’ passou a ser atacada pelos novos ocupantes.

Para a promotora, essa seria a possível causa dos conflitos. “Os demais moradores de Vila dos Cabanos sentem-se prejudicados com o problema, porque ele está impedindo a continuidade do processo de regularização fundiária dessas terras, pois a Secretaria do Patrimônio da União tem se manifestado pelos jornais de Belém no sentido de não regularizar a área se houver litígio e depredação de patrimônio ambiental”, informou.

“Os barraqueiros estão convencidos de que existe elo entre o problema e o crime e afirmam que a vítima recebeu ameaça de morte depois que hospedou policiais federais que ingressaram na área na semana passada, em busca de evidências de que os ocupantes estão desmatando o Cinturão Verde”.

BRIGA DE BAR

Outra hipótese, a primeira levantada para o crime, é que uma discussão mal resolvida entre um cliente e o dono do bar na praia do Caripi pode ter sido a motivação do assassinato do comerciante Benedito Simão. Ele foi morto com cinco tiros disparados por um desconhecido no interior do seu próprio estabelecimento.

As informações desencontradas repassadas na noite do crime movimentaram os órgãos de segurança pública do Estado. A princípio, a ocorrência seria um crime motivado por conflito de terra que teria resultado na morte de várias pessoas.

Diante do fato, o delegado João Paiva, atendendo determinação do delegado-geral Nilton Atayde, deslocou uma equipe de policiais civis da Divisão de Homicídios na capital paraense até o município para investigar a ocorrência. “No município, fizemos o levantamento do local e conseguimos constatar que as informações repassadas não eram verídicas”, afirmou o delegado João Paiva.

Segundo o delegado, um homem ainda com identidade desconhecida entrou no bar “Marisqueira” e efetuou cinco disparos que atingiram o proprietário do estabelecimento, Benedito Simão. O comerciante morreu na hora. O executor conseguiu fugir. “A companheira da vítima estava no local, apavorada, começou a gritar por socorro e a população correu atrás, na tentativa de alcançá-lo, mas ele aproveitou para escapar pela escuridão de uma floresta”, disse.

De acordo com Paiva, dois dias antes do crime, Benedito teria se envolvido numa discussão com um cliente. “No auge do bate-boca, o proprietário chegou a retirá-lo do estabelecimento à força e o homem teria revidado a agressão, jurando Benedito de morte”. Durante o outro dia, o cliente ficou pela área. O delegado acredita na hipótese que ele estivesse estudando os passos da vítima.

O delegado João Paiva informou ainda que vários materiais foram coletados para serem submetidos a exames no CPC “Renato Chaves”, em Belém. “Mas, vale ressaltar que o trabalho de perícia ficou prejudicado por terem removido o corpo da vítima do local e encaminhado ao município de Abaetetuba de forma precária, sem a análise prévia dos peritos criminais”, advertiu.

O fato foi registrado na delegacia de Vila dos Cabanos, em Barcarena, e receberá auxílio da Divisão de Homicídio para ser desvendada a autoria do crime. (Diário do Pará)

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