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Suposta gravidez gera confusão em Icoaraci

Médicos do hospital Abelardo Santos de Icoaraci registraram boletins de ocorrência sobre uma suposta fraude em um "sumário de alta", um laudo que permite que o paciente possa deixar o hospital com o consentimento dos médicos.Segundo o obstetra Ademar Mora

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Médicos do hospital Abelardo Santos de Icoaraci registraram boletins de ocorrência sobre uma suposta fraude em um "sumário de alta", um laudo que permite que o paciente possa deixar o hospital com o consentimento dos médicos.

Segundo o obstetra Ademar Moraes que estava de plantão na noite desta terça-feira (6), o pivô da confusão foi uma adolescente de 17 anos acompanhada do marido, André Cunha,que chegaram ao hospital reclamando o corpo de um bebê que tinha falecido hoje. "Após ser ameaçado e presenciar o início de um tumulto, vi que o documento apresentado tinha rasuras e desconfiei das reclamações. No laudo, essa senhora teria sido internada no dia 6 e saiu no dia 7 de setembro. Ninguém pode ter um documento de alta antecipada, ainda mais quando o médico que assina nem está de plantão, nem conhece o quadro clínico da paciente", afirmou.

O médico Patrick Maneschi, que teve o nome envolvido no caso, também fez questão de registrar queixa na delegacia. Segundo ele, a paciente apresentava um laudo de dois anos atrás e que nem tinha dado entrada no hospital nesta terça-feira(6) como detalhava o suposto documento falsificado. “No dia 12 de janeiro de 2010, ela (adolescente) esteve no hospital e deu entrada com um quadro de aborto incompleto. Na época, eu emiti um ‘Sumário de Alta’ (Resumo de Alta) após ter sido feita a curetagem (aborto)”, confirmou o médico.

Ainda de acordo com ele,a adolescente utilizou o laudo recebido em meados de janeiro de 2010 para tentar convencer os familiares que havia perdido o bebê novamente. “No laudo estava modificada somente a data da internação e do recebimento de alta hospitalar, dias 06 e 07 de setembro deste ano. As datas da última menstruação e previsão de nascimento ainda eram do ano de 2009”, destacou o médico.

Uma enfermeira, acusada de ter realizado o parto, também teve que prestar depoimento na unidade policial. O caso vai ser acompanhado na seccional de Icoaraci pelo Delegado Paulo Guilherme.

Exames

Conforme o médico Patrick Maneschi, a ultrasonografia realizada na adolescente apontou que o útero dela não havia sido dilatado. Além disso, o exame ginecológico não localizou vestígios de sangue no órgão genital da adolescente, o que indica que ela não se submeteu a trabalho de parto. Por fim, um teste de gravidez atestou que a adolescente não estava grávida. “Esse exame apontou que ela não esteve grávida nos últimos três meses, pelo menos”, concluiu o médico.

O documento supostamente falsificado vai passar por perícia e será acoplado ao processo. As investigações pretendem saber os motivos que levaram a paciente a realizar as denúncias contra os médicos e o hospital, além da veracidade do caso relatado pela suposta paciente.

Nova Versão

Em seguida, a adolescente afirmou a familiares que não havia sido atendida no Hospital Abelardo Santos. De acordo com ela, uma enfermeira teria realizado o parto, alegado que o bebê nasceu morto e desaparecido com o corpo. Com isso, familiares se deslocaram até a seccional de Icoaraci e apresentaram a versão. Como a adolescente informou o endereço da enfermeira, o delegado Paulo Guilherme determinou que investigadores conduzissem a acusada para prestar depoimento.

Assustada, a enfermeira atendeu aos investigadores. Ao ser comunicada da acusação que recaía sob ela, a enfermeira ficou bastante nervosa. “Gente, eu trabalho no CAP’S, que fica anexo ao Abelardo”, alegava a enfermeira. Inicialmente, ela se recusou a acompanhar os policiais, mas aceitou ser ouvida pelo delegado. O depoimento da enfermeira durou até o final da madrugada. Por volta de 04 h, a adolescente chegou à seccional de Icoaraci ao retornar do Hospital Abelardo Santos, onde foi submetida a três exames.

A adolescente foi encaminhada para a Data ainda hoje de mandrugada. Em depoimento ela alegou que a família ao saber da suposta gravidez, começaram a fazer planos e agradaram a jovem comprando roupas para o bebê. Mesmo sem comprovação nenhuma ela começou a acreditar que estava grávida.

A jovem ficará apreendida e responderá por falsificação de documento e falsa acusação. (Diário Online)

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