Com passos curtos, seu Júlio Guerreiro, 82 anos, percorre a fábrica de velas e vai mostrando como cada máquina ajuda a dar forma aos milhares de objetos de cera que ali são fabricados, principalmente durante este período, que antecede o Círio. Já são 68 anos neste ofício, que ele considera uma verdadeira paixão. “O Círio é tudo na minha vida. Quero continuar sempre trabalhando nisso”, conta.
Ele conhece cada detalhe do processo de fabricação e mostra rapidamente como, em apenas dois banhos de cera, as famosas esculturas carregadas pelos fiéis durante a procissão religiosa ganham forma. “Depois do banho é só esperar secar e já pode tirar da fôrma”, explica. Até mesmo os processos de fabricação que exigem maior esforço não são desafios para o fabricante. Fazer uma vela de metro, por exemplo, pede 50 banhos de parafina.
Os trabalhos para o Círio deste ano já intensificaram o ritmo de produção da fábrica, localizada no bairro da Cidade Velha. “Começamos a preparação quatro meses antes da procissão, vamos fazendo um estoque”, explica. “Por mais estranho que seja o pedido, a gente sempre tenta arranjar uma solução. Já teve gente pedindo pra fazer um barco de 1,60 de altura todo de cera”.
Assim como a produção das velas e objetos de cera, outros setores da economia já começam a se movimentar por conta da proximidade do Círio 2011. “Os setores que mais se movimentam são o de serviço, principalmente por causa do turismo, o comércio e o da indústria”, afirma o economista Roberto Sena, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O impacto na economia na primeira quinzena do Círio foi de R$700 milhões. “Além da devoção, por ser a maior procissão religiosa do mundo, gera riqueza para o Estado e emprego”, diz o economista. “Todo mundo vende tudo no Círio. Desde água até camisa e terço”.
LEMBRANÇAS
Lírio Mimoso, a loja oficial do Círio, contabiliza centenas de visitantes todos os dias, muitos deles vindos de outros Estados. “Desde agosto já começa a movimentação maior. Tudo relativo à Nossa Senhora sai muito, principalmente imagens, toalhas e camisas”, conta Cristina Martins, subgerente da loja.
Na quinzena do Círio, a procura pelos produtos é tão grande que a loja precisa mudar o horário de atendimento. “Normalmente ficamos abertos até 20h, mas nesse período a loja funciona até as 23h mais ou menos”. A terapeuta ocupacional Giselle Dantas veio de Manaus passar férias em Belém e já aproveitou para levar lembrancinhas do Círio para amigos e familiares. “Já estou no clima da festa e vou comprar umas camisas e cartazes do Círio para dar de presente”.
Próximo dali, em frente à Basílica de Nazaré, os ambulantes também aproveitam a época para faturar com produtos alusivos ao Círio. Lourdes Ferreira fez parte deste grupo. Ela vende as famosas fitinhas coloridas do Círio, que chamaram sua atenção há 30 anos. “Me interessei em aprender e agora esse é o meu ofício. Eu faço o desenho no computador e meu filho pinta as fitas”, explica. “As pessoas compram muito, esse ano eu pretendo vender 15 mil unidades”, diz.(Diário do Pará)
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