E se um dia todas as referências que você tem do seu Estado, como limites territoriais, municípios e elementos culturais, fossem plenamente modificadas caso a maioria das pessoas que nele vivem assim decidissem? Longe de ser fictícia, a situação já é debatida em todas as regiões paraenses e tem até data marcada: 11 de dezembro, quando será realizado o plebiscito sobre a divisão do Pará.
Convicto da importância de participar do processo, o estudante Pablo Mota foi até a Central de Atendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no bairro da Pedreira, ontem pela manhã, para obter o título eleitoral. “Poderia esperar até o próximo ano, quando vai ter as eleições municipais, mas preferi tirar logo e fortalecer a luta contra a divisão”, afirmou.
Com o documento em mãos, ele não escondia a ansiedade em votar pela primeira vez. “Meus amigos também vieram tirar o título e já vi muitas pessoas aproveitando a oportunidade para exercer o voto”, afirmou.
Dona Carmelita Alvez, de 73 anos, era uma das pessoas que fazia questão de opinar no plebiscito. Mesmo não sendo obrigada, devido à idade, ela aguardou pacientemente a fila de 30 minutos no posto do TRE para conseguir a segunda via do título eleitoral. “Esse é um daqueles momentos históricos, que vão marcar a formação do nosso Estado. Não posso ficar de fora da decisão, seja ela qual for”, afirmou a professora aposentada.
E na casa dela a vontade cidadã não ficou restrita aos mais velhos. “Desde que foi anunciada a data (do plebiscito) minha neta de 16 anos tirou o documento. Acho que é uma consciência que deve estar presente tanto nos mais novos quanto nos mais velhos”, frisou.
Para garantir o atendimento de todos, o TRE disponibiliza atendimento em horário estendido até o próximo domingo (11), de 8h às 18h. Os interessados podem procurar postos na capital e no interior e atualizar os dados cadastrais ou solicitar a primeira via do título. Somente na Central de Atendimento da Pedreira eram esperadas cerca de 300 pessoas, o triplo do volume usual.
As pequenas filas no posto do projeto Tá na Mão, espaço que concentra diversos serviços à população, no bairro do Guamá, indicava que muitos irão comparecer somente na última hora. Sorte da gerente de loja Carla Moraes, que apesar de não saber do encerramento do prazo, foi ao local e em poucos minutos saiu com o novo documento. “Tinha vindo só trocar o nome de solteira pelo de casada, mas foi bom porque já serviu para votar também”, confirmou.
Após o dia 11, os serviços continuarão a ser oferecidos nos cartórios eleitorais, porém o eleitor não poderá participar no plebiscito de dezembro. Pessoas de 18 a 70 anos são obrigadas a votar. Quem perder o prazo e não conseguir votar terá que pagar multa de três reais e cinquenta centavos. (Diário do Pará)
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