No quinto dia de paralisação pelas ruas de Belém, os trabalhadores da construção civil, em greve desde segunda-feira, 05 de setembro, decidiram manter o movimento por tempo indeterminado. Eles prometem novas manifestações na próxima segunda-feira (12).
Assim, permanece a indecisão nas negociações entre operários e empresários, por causa da prerrogativa dos trabalhadores em negociar diretamente com as empresas, enquanto que o Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon) informa que somente irá discutir melhorias com a classe operária quando eles voltarem às atividades.
A decisão dos operários foi tomada após a tentativa frustrada de apresentar uma contraproposta durante uma grande manifestação, na manhã de quinta-feira, (08) à patronal, localizada na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), na Quintino Bocaiuva. A categoria se mobilizou novamente, ontem, em frente aos canteiros de obras de Belém, em seguida marcharam até a Travessa 9 de janeiro, onde fica a sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, o que congestionou vias como a avenida Augusto Montenegro e Almirante Barroso.
Apesar disso, o sufoco no trânsito foi menor, já que dessa vez o movimento contou com um número reduzido de operários: apenas 500 participantes, de acordo com a Polícia Militar. Em assembleia, a categoria decidiu manter a contraproposta e continuar com a greve na próxima semana. “Só voltaremos se fecharmos acordo”, afirmou o coordenador do sindicato dos trabalhadores, Atenágoras Lopes.
PERCENTUAL
Atenágoras afirma que 80% da categoria está paralisada na capital. Ele diz ainda que o o sindicato não é obrigado a garantir um percentual mínimo de operários trabalhando. “A nossa categoria não está enquadrada nas essenciais. Não causamos prejuízo direto à população, de acordo com a CLT ( consolidação das leis de trabalho )”, explica. Em relação a liminar expedida pela Juíza da 8° Vara, Maria Edilene de Oliveira Franco, do Tribunal de Trabalho, na última terça-feira (06), a categoria afirma que continuará cumprindo a determinação de manter a distância de 20 metros das obras sob pena de multa de 50 mil por dia.
O Sinduscon informou, por meio de sua assessoria, que não irá se manifestar oficialmente enquanto os trabalhadores não retornarem ao trabalho. E que os dias parados serão descontados na folha salarial dos grevistas.
Os trabalhadores pedem R$ 950 de salário para pedreiro, R$670 para servente, cesta básica de R$ 150 e 10% das vagas para mulheres. (Diário do Pará)
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