Responsável pelo lançamento das bases do mercado publicitário no Pará e hoje uma das agências mais premiadas do Brasil – foram ao todo 676 prêmios, 220 deles internacionais –, a Mendes Publicidade completa amanhã 50 anos. Nesse meio século de vida, a agência foi testemunha privilegiada e muitas vezes participante ativa de iniciativas, ações e projetos emblemáticos para as transformações que se processariam no Estado.
Fundador e até hoje diretor em tempo integral da agência, o publicitário Osvaldo Mendes, que começou a carreira como jornalista aos 16 anos, conta casos curiosos, relembra as dificuldades dos primeiros tempos e destaca momentos que marcaram o às vezes sofrido, mas sempre instigante, desenvolvimento da publicidade no Estado. Foi da Mendes, por exemplo, o primeiro anúncio levado ao ar na TV paraense - uma peça criada para a companhia Paraense Transportes Aéreos e veiculada pela TV Marajoara, na época recém-inaugurada. Confira a entrevista cedida ao DIÁRIO.
P: Seu ingresso na carreira publicitária coincidiu com o início da publicidade no Pará. Como ocorreu isso?
R: Eu comecei como jornalista, aos 16 anos. Trabalhei na Folha do Norte, em A Província do Pará, na época pertencente aos Diários Associados. Fui correspondente da Manchete, que era a grande concorrente da revista O Cruzeiro, e fui também correspondente da revista Visão, uma espécie de Veja daquele tempo. Trabalhei ainda para a Revista do Globo, uma belíssima publicação da Editora Globo, de Porto Alegre, e que nada tinha a ver com as atuais Organizações Globo. Ela era dirigida pelo Justino Martins, que depois foi para a Manchete. No início da carreira, como jornalista, eu fui principalmente repórter de rua, aquele repórter investigativo que sai à rua para buscar o contato direto com a notícia e com suas fontes. Fiz muitas viagens nessas condições. Estive na Guiana Francesa quando foi extinto o presídio da Ilha do Diabo, e tive também a rara oportunidade de entrevistar o Einstein [Albert Einstein, físico, criador da teoria da relatividade] em Princeton. Enfim, eu fiz uma série enorme de reportagens, incluindo a cobertura da revolução de Jacareacanga, como ficou conhecido o levante de militares da Aeronáutica contra o governo Juscelino Kubitschek, em 1956. Eu estive na base de operações instalada pelos revoltosos em Santarém. Um dos líderes do levante era o major Haroldo Veloso.
P: Como e quando se deu a guinada para a atividade publicitária?
R: Foi em 1956, ano em que me associei ao Avelino Henrique dos Santos e juntos fundamos a Agência Santos-Mendes. Num primeiro momento, porém, eu estava ao mesmo tempo na publicidade e no jornalismo. Só num segundo momento é que fiz a opção definitiva pela publicidade. O Avelino, meu sócio na primeira agência, era filho do Eriberto Pio dos Santos, um dos donos da Rádio Clube do Pará, que havia sido fundada em 1928. Na época, a primeira e única emissora de rádio do Pará e a quinta mais antiga do Brasil. Não tínhamos ainda televisão. Com a primeira agência, nós dois tivemos juntos um bom momento. Foram cinco anos, depois nos separamos. Ele ficou com a Santos-Mendes, usando a sigla SM. Foi quando fundei a Mendes, em 12 de setembro de 1961. (Diário do Pará)
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