Os operários da construção civil de Belém decidiram, ontem, manter a greve da categoria - que completou oito dias - depois de mais uma tentativa frustrada de negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e Mobiliário de Belém (STICMB) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).
Os trabalhadores voltaram a radicalizar o movimento e fecharam várias ruas e avenidas da cidade, incluindo a Augusto Montenegro, a Governador José Malcher, a Generalíssimo Deodoro, Braz de Aguiar e a travessa Quintino Bocaiuva, onde ficaram concentrados em frente à sede da Fiepa.
Onde encontravam operários trabalhando a categoria, em passeata, que saiu da frente do sindicato, na travessa 9 de Janeiro, parava e só seguia em frente depois que as obras eram paralisadas e os trabalhadores aderiam ao movimento.
POLICIAMENTO
A Polícia Militar (PM) mobilizou tropas da Rotam, do Choque, canil e cavalaria, com homens armados de metralhadoras, escopetas e pistolas e spray de pimenta, em frente da Fiepa. A PM também acompanhou de perto a passeata, intervindo durante as paradas e negociando com os trabalhadores para evitar que as ruas permanecessem muito tempo fechadas.
Por volta das 11h, os trabalhadores chegaram em frente à Fiepa, depois de terem feito paradas na Generalíssimo e na Braz de Aguiar para conclamar trabalhadores a paralisarem obras.
Ao meio-dia uma comissão formada por seis trabalhadores entrou na sede da Fiepa para mais uma rodada de negociações com os empresários. Mas, segundo o coordenador do sindicato, Kleber Rabelo, mais uma vez eles disseram “que não tinham nada a oferecer”.
ASSEMBLEIA
Os empresários teriam dito ainda que vão fazer uma assembleia para discutir uma contraproposta apresentada pelos trabalhadores, que reduziram de 20% para 15% o pedido de reajuste salarial e de R$ 150 para R$ 80 a cesta básica, mantendo as reivindicações de plano de saúde e reserva de vagas de 10% para as mulheres. “Eles disseram ainda que só negociam se a greve for suspensa”, afirmou Kleber.
A proposta foi colocada em votação numa assembleia realizada por volta das 13h, na frente da Fiepa, onde os trabalhadores decidiram permanecer em greve.
Os trabalhadores ainda seguiram até à sede do sindicato e se dispersaram. Hoje os piquetes nas obras devem começar às 6h30 e uma assembleia deverá acontecer na frente do sindicato por volta da 9h30. “Vamos paralisar todas as obras e fazer uma nova passeata, mas o trajeto só será decidido na assembleia”, afirmou Atenágoras Lopes, um dos coordenadores do sindicato.
PROPOSTAS - TRABALHADORES
Pela contraproposta apresentada pelos trabalhadores, o salário do pedreiro passaria de R$ 800 para R$ 950 e o dos serventes de pedreiro de R$ 570 para R$ 670.
EMPRESÁRIOS
Os empresários por enquanto mantêm a proposta de reajuste de 10% que elevaria os salários para R$ 880 e R$ 630.
(Diário do Pará)
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