Os pacientes que estavam internados no novo prédio do Pronto-Socorro da 14 de Março foram retirados às pressas, ontem de manhã, e encaminhados para leitos do prédio antigo e para hospitais conveniados depois da constatação de que havia rachaduras nas paredes e pisos das alas do primeiro e do segundo andares. Tremores, ruídos e o aumento das rachaduras assustaram os pacientes.
Na noite de anteontem foram chamados representantes da Defesa Civil para avaliar a situação. Ontem de manhã, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) pediu ajuda dos bombeiros que fizeram uma avaliação inicial e decidiram liberar o prédio. Mas só um laudo do Instituto Médico Legal (IML) do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, que também foi acionado, poderá confirmar a decisão.
As rachaduras vêm sendo observadas por pacientes já há algum tempo. A cabeleireira Maria José Silva Serra disse que constatou fissuras desde o último dia 2, quando a mãe dela, Eleonor Silva Serra, foi internada com um tumor na cabeça. “Quando cheguei já estava rachado. Na noite de anteontem, o prédio tremeu”. Segundo ela, pacientes também já tinha sentido tremores no sábado e no domingo.
Os 63 leitos que o prédio abriga estavam todos ocupados, mas somente 32 pacientes foram remanejados para oito leitos do prédio antigo do PSM que, mesmo passando por reformas, está lotado. Os demais pacientes foram encaminhados para hospitais e clínicas conveniados.
O novo prédio foi construído há um ano pela empresa Arteplan Engenharia, que também enviou um engenheiro ao local. A secretária de Saúde do Município, Silvia Santos, disse que chamou a Defesa Civil e os bombeiros “por precaução para não colocar em risco a vida das pessoas”. Segundo ela “pode ter sido em função da própria acomodação do solo” e que qualquer fissura assusta as pessoas.
SEM RISCO
O subtenente Martins, do Centro de Atendimento Técnico do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, que participou de uma coletiva junto com a secretária e o coordenador da Defesa Civil, Mário Cehermont, às 11h30, no prédio da Vigilância Sanitária, disse que numa “avaliação visual” de toda a estrutura constatou que o prédio, “num primeiro momento não apresenta risco iminente que justifique a desocupação”.
Ele disse ainda que realmente pode ter sido somente uma acomodação do solo ou devido a obras que estão sendo realizadas próximas do Pronto-Socorro, mas que uma conclusão definitiva só seria possível com o laudo do IML.
O coordenador da Defesa Civil, Mário Chermont, disse que foi montada “uma força- tarefa” composta por equipes da Defesa Civil, dos bombeiros, da empresa Paulo Brígido, especializada em fundações e de um engenheiro da construtora Arteplan Engenharia para verificar a situação do prédio.
Segundo Silvia Santos, os pacientes que foram remanejados foram levados de volta para o prédio novo ainda ontem. “Os que já estão acomodados nos hospitais conveniados ficam lá”, afirmou. Ela disse que só de posse do laudo técnico do IML poderá ser tomada uma decisão definitiva sobre os pacientes.
Na noite de ontem, bombeiros estiveram no PSM para realizar nova vistoria. Segundo o tenente-coronel Augusto Almeida, o local está em condições de funcionamento e o prédio anexo não apresenta risco iminente de queda. “O laudo preliminar deve sair amanhã às 18h, o qual deve confirmar estas informações. Nossa equipe esteve inspecionando durante horas o local, acompanhada de engenheiros que garantem o funcionamento do prédio. O laudo final que vai apontar as reais causas deve ficar pronto em 15 dias” (com informações de Elias Santos). (Diário do Pará)
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