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Brasil é campeão em reciclagem de latas

O fim dos lixões e o aumento da participação dos municípios na coleta seletiva de materiais recicláveis são os dois principais gargalos para o ‘salto’ de qualidade no trabalho dos catadores. Apenas 500 municípios brasileiros fazem coleta seletiva de lixo.

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O fim dos lixões e o aumento da participação dos municípios na coleta seletiva de materiais recicláveis são os dois principais gargalos para o ‘salto’ de qualidade no trabalho dos catadores. Apenas 500 municípios brasileiros fazem coleta seletiva de lixo. A economia brasileira, que poderia ser de R$ 8 bilhões com essa atitude, chega a, no máximo, R$ 3 bilhões anualmente. “Jogamos fora R$ 5 bilhões por ano”, lamenta Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), entidade representativa da indústria de bebidas em lata.
A estimativa de Bicca foi apresentada ontem em Belém, durante o Ciclo de Debates sobre a Erradicação da Pobreza na Economia Verde, que reuniu catadores de materiais recicláveis no auditório do Ministério Público do Estado. A ideia era discutir a Política Nacional de Resíduos Sólidos e buscar soluções em conjunto entre os catadores, o poder público e o empresariado.

“Deixamos de ser os coitadinhos para virar os protagonistas”, disse Severino Lima Júnior, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. A ironia não é sem sentido. Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), Renault Castro, o Brasil é hoje o campeão mundial de reciclagem de alumínio, principalmente a lata. “Pelo menos 98% das latas de alumínio são recicladas no país. Criou-se uma indústria de reciclagem de lixo”.

É um mercado poderoso, que tem informalmente cerca de um milhão de catadores no país. O problema é que ainda há pouca organização. Em todo o Brasil. existem 700 cooperativas e associações, mas apenas 40 mil catadores estão organizados nelas. “É necessário que se façam acordos setoriais nos municípios, que envolvam o consumidor, as prefeituras, as empresas, os sucateiros legalizados e os recicladores”, diz Bicca.

Hênio de Nicola, coordenador da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira de Alumínio, defende um aumento no número de cooperativas e associações como forma de alavancar essa atividade com números competitivos. “Às vezes temos de importar material porque o que nos vem ainda é insuficiente e muitas vezes com baixa qualidade”, acusa. (Diário do Pará)

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