Os médicos particulares do Pará realizam no próximo dia 21 de setembro uma paralisação no atendimento aos planos de saúde. Somente os casos de urgência e emergência serão mantidos. O protesto ocorre em todo país e visa pressionar as operadoras de planos de saúde a negociarem um reajuste nos valores das consultas e procedimentos. Este ano, as operadoras não apontaram nenhum percentual de reajustes nos valores dos procedimentos.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia, diz que a paralisação do dia 21 é um prosseguimento do ato ocorrido no dia 7 de abril deste ano. Na data, os médicos particulares de todo o país também paralisaram o atendimento pelo planos de saúde. O ato é uma forma de tentar avançar as negociações com as operadoras. “Tivemos poucos avanços e não conseguimos acordo com nenhuma operadora. Queremos reajustes no valor das consultas para R$ 80 e nos procedimentos. Mas queremos atingir planos-alvo, como Hapvida, Grupo Unidas, Grupo Líder, Institutos como Ipamb, Iasep, Geap e hospitais militares (Polícia Militar, Naval e Exército)”.
A justificativa para a paralisação, afirma Gouveia, é o fato das operadoras terem recebido autorização para reajustes nos preços dos planos de saúde muito acima da inflação. “E não repassarem nada para os honorários médicos”, diz. “Elas também estão interferindo no diagnóstico do médico. Se solicitamos exames de alta complexidade, dificultam ao máximo para que não sejam realizados, interferindo na autonomia do médico”.
O médico também destacou que a Comissão Estadual de Honorários Médicos (Cehm) realizou várias reuniões com as empresas de planos de saúde, mas até o momento não houve acordo com nenhuma operadora. Algumas apresentaram propostas muito abaixo da aprovada em assembleia geral extraordinária realizada em agosto. Outras sequer mandaram representantes às reuniões”.
ATENDIMENTO
Gouveia alerta que as consultas marcadas para o dia 21 devem ser transferidas para outras datas e que apenas os casos de urgência e emergência serão atendidos nos hospitais e clínicas particulares. “São cerca de 6.500 médicos cadastrados no Estado e entre 2 e 3 mil que prestam serviços para planos de saúde e teremos participação maciça”, garante o presidente do Sindmepa.
Breno Monteiro, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde do Pará (Sindesspa), diz que é plenamente favorável à paralisação dos médicos. “A situação está se complicando cada vez mais”, comenta. “A remuneração é incompatível, seja pelo SUS, governo e operadoras. As dificuldades deles (planos de saúde), que ocorrem quando a Justiça determina que eles atendam algum tipo de procedimento a mais, eles estão repassando para nós. Não fazem reajustes nas tabelas, atrasam os pagamentos de hospitais e laboratórios”, alega Monteiro.
O presidente do Sindesspa alerta que a paralisação do dia 21 “é apenas o começo”. “O caminho é diminuir e parar esse atendimento aos planos. A comissão está negociando com as operadoras a consulta no valor de R$ 80, mas nenhuma delas paga esse valor”. Atualmente os valores pagos pelas operadoras de planos de saúde por uma consulta varia de R$ 33 (Hapvida) até R$ 50 (Unimed e Grupo Unidas), informou o médico João Gouveia. Apesar das tentativas, a reportagem não conseguiu ouvir as empresas citadas pelo Sindmepa até o fechamento desta edição. (Diário do Pará)
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