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CPI do tráfico humano interroga em Marabá

Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam em Marabá, nos dias 15 e 16 de setembro do corrente, nas dependências do novo prédio da Câmara Municipal, audiências públicas para apurar o crime sobre outras duas abordagens do

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Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam em Marabá, nos dias 15 e 16 de setembro do corrente, nas dependências do novo prédio da Câmara Municipal, audiências públicas para apurar o crime sobre outras duas abordagens do tráfico de pessoas: exploração de mão de obra em condições análogas ao trabalho escravo e de jovens atletas de futebol.

A programação dos deputados no município inclui entrevista a imprensa local e regional, uma reunião com entidades ligadas a defesa de crianças e adolescentes, realização de oitivas, e reuniões com autoridades locais.

A visita a Marabá tem por objetivo levantar informações sobre uma dimensão ainda não abordada o chamado trabalho escravo, para fins de exploração econômica, principalmente em fazendas, e por outro lado consolidar informações acerca do aliciamento e recrutamento de menores para o mundo do futebol” avaliou o deputado Carlos Bordalo (PT), relator da CPI.
Para o deputado João Salame (PPS), presidente da CPI, o trabalho da Comissão em Marabá, será feito para compreender de como opera a rede que intermedia a ida de jovens jogadores de futebol do sul e sudeste do

Pará para a baixada santista. ”Viemos também para averiguar denúncias da existência de trabalho escravo em fazendas da região”, explicou Salame.

Números da CPI

Até o presente momento a CPI ouviu em depoimento 43 pessoas sendo 24 sigilosamente e 19 em audiências públicas: o Profº. Armando Zurita Leão – Coordenador do Instituto de Divulgação da Amazônia, estudioso sobre o tráfico internacional de profissionais do sexo; as mães de duas jovens que foram traficadas para a Espanha e Portugal respectivamente, Rosalina Pereira Gama e Maria de Nazaré Costa Tabosa; Carlos Alberto Mancha, diretor das categorias de base do Paysandu; Roberto Macedo Júnior, agente credenciado pela Fifa no Pará.

Os empresários paulistas, Marcos Vinicius Cardoso e Daiane Flávia Silva e o proprietário do Clube Vila Rica Marajó, Sérgio Araújo Nascimento. A travesti Biane, Edson dos Santos Carneiro, foi ouvido e ainda 9 depoimentos em Bragança, sendo que o primeiro foi da coordenação da equipe de vigilância comunitária e os demais de supostos envolvidos com a rede de exploração de mulheres para o trafico sexual, tanto a nível local, estadual, interestadual e até internacional.

Investigação difícil

Para Salame o trabalho dos deputados da CPI é difícil porque o ‘tráfico de pessoas’ tem suas complexidades para ser detectado. “Não existem informações consolidadas. boa parte da sociedade não acredita que ele exista. As pessoas que são vítimas são enganadas com a promessa que vão melhorar de vida, entretanto só denunciam no destino, quando descobrem que foram enganadas, e não na origem do problema quando são aliciadas por falsas promessas”, avaliou o presidente da CPI.

Estão previstos a participar da programação em Bragança, os deputados da CPI: João Salame (PPS), presidente; Carlos Bordalo (PT), relator; Celso Sabino (PR), vice; Edmilson Rodrigues (PSOL); Luzineide Farias (PR); e Edílson Moura (PT).

Realidade do tráfico humano

No comércio ilegal, o tráfico humano movimenta atualmente mais de US$ 12 bilhões por ano, segundo dados da ONU. A atividade compete apenas com o tráfico de armas. É comprovadamente a segunda prática criminosa mais lucrativa do mundo. Em 2008 cerca de 500 mil pessoas foram vítimas do tráfico humano na Europa. E desse total, 75 mil eram de brasileiros. Na maioria dos casos são jovens e mulheres, afrodescendentes com baixa escolaridade e desempregados, que são atraídos por promessas de bons empregos e uma vida melhor. Sem passaportes, lá são escravizados para atividades sexuais ou econômicas. A região amazônica também se insere neste mercado mundial, e é uma das que mais fornece vítimas para essas redes criminosas.

Estima-se que 500 mil crianças são vítimas de tráfico para fins de exploração sexual no mundo inteiro. No Brasil, ao menos 25 mil pessoas estão sendo mantidas em condições análogas ao trabalho escravo. É um dever de toda a sociedade enfrentar esta questão.

(Ascom/Alepa)

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