O governador Simão Jatene e integrantes da bancada federal do Pará estiveram ontem em audiência com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, para cobrar do governo federal a retomada das obras de derrocagem no rio Tocantins e assim permitir a navegabilidade plena da hidrovia, fundamental para a atração de investimentos à região de Marabá.
Os recursos para as obras estavam previstos no PAC2, mas foram cortados pela presidente Dilma Rousseff. O processo de derrocagem – retirada das pedras do fundo do leito do rio para permitir navegabilidade – já estava adiantado, com estudo de viabilidade e projetos prontos, bastando a homologação do edital – também já realizado – para que o trabalho fosse iniciado.
A situação foi denunciada pelo presidente do PMDB do Pará, Jader Barbalho, que no início de setembro publicou protesto em seu twitter contra o corte de recursos. De acordo com Jader, sem as obras previstas, a navegabilidade da rota Araguaia-Tocantins está comprometida.
Ainda conforme antecipou o presidente do PMDB, sem as obras de derrocagem e a construção do porto de Marabá, “as eclusas vão servir para pouca coisa. Sem o Porto de Marabá, certamente, a nova siderúrgica vai procurar outra via de escoamento. Espero que a presidente Dilma reverta sua decisão de cortar investimentos no Pará”, manifestou.
Ontem, durante a reunião com o ministro, o governador e os parlamentares do Pará cobraram a retomada de obras fundamentais de logística no Estado, entre elas as obras de viabilização da Hidrovia do Tocantins.
O coordenador da Bancada do Pará, senador Flexa Ribeiro, lembrou que as Eclusas de Tucuruí, inauguradas em novembro pelo ex-presidente Lula, também ainda não foram colocadas em funcionamento em sua totalidade. “Da forma como está, o Pará perde duas vezes e os grandes investimentos privados que Marabá tanto espera ficam mais distantes. Essa suspensão pode gerar efeitos extremamente negativos para a área econômica e principalmente a social, uma vez que muitos empregos podem deixar de ser gerados”.
O governador Simão Jatene também destacou que as obras são importantes para as regiões sul e sudeste do Estado, mas também para o país, uma vez que podem garantir um modal mais eficiente e barato de transporte, permitir maior integração entre as regiões e competitividade para as empresas instaladas no Pará. “É importante frisar que não estamos em lados opostos. O ministro deixou claro que entende o papel estratégico desta obra e temos neste momento uma união muito grande, basta ver pela presença da bancada aqui na reunião, para que essas obras sejam concretizadas”, disse Simão Jatene ao elogiar a bancada paraense.
O ministro Paulo Passos informou que o governo federal acompanha atentamente a questão, mas pediu um prazo para dar um posicionamento se as obras serão retomadas e quem será o responsável. Ele disse que a própria presidente Dilma Rousseff determinou que os ministérios do Planejamento e dos Transportes tenham uma reunião com a Vale, que será convocada a assumir as obras da hidrovia. “Ficamos muito felizes ao entregar as obras das eclusas, que esperávamos há décadas. Vamos conversar com a Vale, que foi o determinado pela presidenta Dilma. Temos preocupação com a logística do Pará e estamos dispostos a ajudar a resolver”, disse, afirmando que em até trinta dias terá um retorno sobre a determinação da presidente.
(Diário do Pará)
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