“A maioria é um bando de folgados”, define o motorista João Afonso, ao ser questionado sobre o que acha dos motoqueiros. O crescimento da popularidade das motos entre os paraenses veio acompanhado de uma enxurrada de reclamações. A turma de duas rodas vem tomando cada vez mais espaço nas ruas.
Na última década, as motos apresentaram um crescimento de 85% no Pará e 25% em Belém, de acordo com dados do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran). Atualmente são 498.898 mil motos registradas no Estado, 72.378 delas na capital, segundo levantamento realizado em agosto. Esse inchaço tão repentino não passou despercebido. O aumento da frota de veículos particulares vem diminuindo a velocidade média do trânsito de Belém. Hoje, ela está em torno de 50 e 60 km/h. Em 2015, a projeção é de apenas 30 km/h.
O trânsito também se tornou mais violento. Só no último ano, foram 10.485 acidentes com motos no Estado. O número de motociclistas mortos quase chega ao dobro do de pedestres no Pará, 593 contra 271. “O motociclista virou o grande vilão do trânsito”, avalia o coordenador de planejamento do DETRAN, Carlos Valente. “Isso tem um misto de verdade e preconceito”, ele pondera.
“Tem gente que diz que mototaxista é ladrão. Muito vagabundo queimou a profissão usando o nosso uniforme para matar e roubar. Já fui parado várias vezes pela polícia para mostrar documentos”, desabafa o mototaxista Jorge Luiz Campina. Mas até os motoqueiros concordam que a agilidade e leveza do veículo contribui para cometer alguns deslizes. “A moto é pratica e rápida. Que motorista não se sentiria ao menos tentado de fugir de um engarrafamento cortando os buracos na pista?”, admite o estudante universitário Ricardo Costa, 18, que está se preparando para tirar habilitação. As ultrapassagens indevidas, o excesso de velocidade, unidos à falta de equipamentos de segurança são as imprudências mais recorrentes de acordo com o Detran. (Diário do Pará)
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