Dores de cabeça sempre fizeram parte da rotina da dona de casa Lucíola Reis. Há dois meses, a intensidade aumentou e os filhos decidiriam que era o momento de levá-la ao médico. Após a consulta, com a solicitação dos exames em mãos, parecia que finalmente o motivo das dores seria descoberto. Mas não foi o que aconteceu. O plano de saúde se negou a fazer a ressonância facial prescrita, afirmando que o raio-x teria o mesmo resultado. “Acho um absurdo. Pagamos mais de mil reais de plano de saúde e não temos direito a fazer um exame que o próprio médico acha importante? E a saúde da minha mãe, quem se importa?”, indignou-se a vendedora Iracilda Reis.
A fim de evitar esse tipo de situação, quando há interferência na autonomia dos médicos, e também para garantir contrato formal de trabalho e reajuste no pagamento das consultas de R$ 45 para R$ 80, cerca de 2.500 médicos paralisaram as atividades no Pará ontem. Realizada em todo o país, a mobilização teve como mote “Vamos dar um cartão vermelho aos planos de saúde” e suspendeu os atendimentos eletivos, como consultas e exames, mantendo apenas a urgência e emergência.
Os manifestantes levaram um caixão para frente do Conselho Regional de Medicina, onde foi feito um enterro simbólico dos planos. “Com todos os gastos de manutenção e funcionários, o médico fica com apenas 5% do valor que lhe é repassado”, diz o diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia.
Funcionários da rede pública de saúde também realizaram protesto ontem, pela Gratificação de Desempenho Institucional (GDI), que desde abril não vem sendo paga pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). A gratificação varia de R$ 500 a R$1.000, dependendo da função.
Em reunião com o sindicato dos servidores, o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, garantiu que a GDI referente ao segundo trimestre de 2011 estará na conta dos servidores estaduais até a segunda-feira (26) e explicou que o atraso ocorreu, mais uma vez, em função de dificuldades enfrentadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) em fazer o repasse à Sespa de recursos referentes à prestação dos serviços produzidos pelas unidades estaduais.
Nas Unidades de Referência Especializadas (UREs) do Reduto, Umarizal, Sacramenta, Marco e na URE-Dipe (Unidade de Referência Especializada em Doenças Parasitárias e Infecciosas), a paralisação pegou pacientes de surpresa. Caso do operador de máquinas Edvan Reginaldo, que saiu de Icoaraci às 4h30 para ser um dos primeiros atendidos, mas foi avisado de que não havia médicos. “Estou de benefício e nos documentos está escrito que se perder uma consulta, perco o seguro”.
(Diário do Pará)
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