Não é uma derrota, é um recuo tático. Foi assim que o comando de greve definiu a retomada das atividades dos servidores técnico-administrativos das universidades federais do Pará. A decisão, aprovada ontem pelos funcionários da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), veio por fim a 120 dias de paralisação. Um dia antes, os servidores da Universidade Federal do Pará (UFPA) também votaram pelo retorno ao trabalho. As assembleias organizadas pelos sindicatos da categoria no Estado optaram por seguir a orientação da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra), aprovada no último dia 15, de encerrar a greve já nesta segunda-feira (26).
Com a retomada das atividades, a entidade espera conseguir negociar com o governo federal. Durante todo o período em que os servidores permaneceram parados, o governo negou-se a estabelecer uma mesa de negociação enquanto a categoria não retornasse ao trabalho.
“O comando avaliou que a greve já cumpriu seu papel político e, por isso, optamos pela saída unificada. Nós fomos sabotados por medidas judiciais, impondo que os trabalhadores do Brasil parassem com o movimento. Ficamos sem ter como levá-lo adiante”, analisa Dircélia Moraes, servidora técnica da UFPA e coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos das Universidades Federais (Sindtifes).
MULTA
Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que pelo menos 50% dos servidores técnico-administrativos das universidades federais mantivessem suas atividades durante a greve, por considerar o movimento um “atentando a continuidade dos serviços públicos”. O não-cumprimento da determinação acarretaria em multa diária de R$50 mil para o sindicato. Pela constituição, o mínimo de efetivo exigido é de 30%.
Com a retomada das atividades dos servidores, voltam serviços essenciais suspensos desde o dia 6 de junho, como bibliotecas, restaurantes e limpeza e manutenção do campus. Como o DIÁRIO havia apurado em matérias anteriores, as visitas à Biblioteca Central do campus Guamá estão canceladas. Estudantes da Ufra se viam obrigados a percorrer a pé os 200 hectares do campus Belém. A greve não afetou as aulas nas universidades, já que os professores não aderiram ao movimento.
“Eu entendo o lado deles, mas o fim da greve vai ser um alívio. Ficar sem o ‘Bagé’ (ônibus que faz linha dentro da Ufra) é muito difícil. Temos nosso direito de continuar estudando”, afirma Camille Maia, estudante de agronomia na Ufra.
A categoria reivindica piso salarial de pelo menos três salários mínimos. Segundo o Sindtifes, o vencimento básico dos técnico-administrativos atualmente é R$ 1.034. Segundo eles, a data-base está há quase dez anos sem reajuste. Os servidores buscam também a abertura de concurso público, além do reposicionamento dos aposentados no quadro de conquistas.
VOLTA AO TRABALHO
Cerca de 4.000 servidores voltam as atividades plenas na UFPA e 500 na Ufra. A Universidade Federal do Oeste do Pará, com sede no município de Santarém, deve realizar sua assembleia hoje (23) para decidir se põe um fim a greve.
(Diário do Pará)
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